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O Mito do Intrépido Capitalista Inovador, por Leonardo Gomes Nogueira

 

Enviado por alfeu

Do blog Supressão dos Costumes Selvagens

Nenhum desenvolvimento tecnológico importante se faz sem apoio público (seu celular é exemplo). E a iniciativa privada, inova e pesquisa? Sim, sobretudo formas de manter sua própria hegemonia

 

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Após privatização, Guarulhos é considerado o pior do país

 

Secretaria de Aviação Civil avaliou 14 aeroportos. Curitiba, administrado pela Infraero, ficou em 1°

Uma pesquisa de satisfação realizada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) que avaliou a qualidade dos serviços nos 14 principais aeroportos brasileiros, entrevistando 15 mil pessoas, comprovou que os aeroportos privatizados pelo governo Dilma tiveram pior desempenho após a privatização, através de concessão, do que quando eram administrados pela estatal Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, privatizado em 2012, foi o último colocado da lista.

Segundo o Relatório de Desempenho Operacional dos Aeroportos, os cinco melhores aeroportos brasileiros apontados pelos usuários são administrados pela Infraero, desses, o 1º e 2º lugar (Aeroporto Internacional de Curitiba – Afonso Pena e Aeroporto do Rio de Janeiro – Santos Dumont) mantiveram a posição de 2013 para 2014. Além disso, seis dos nove campos de aviação com administração pública subiram no ranking.

Já dos cinco aeroportos privatizados pelo governo Dilma, 60% pioraram seu desempenho, o que desmente o discurso apresentado pelo governo ao defender as privatizações, de que com a concessão à iniciativa privada, os serviços melhorariam.

O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, principal aeroporto do país, também conhecido como Cumbica – entregue para o capital internacional em 2012, através do consórcio Grupar, que engloba o Grupo Invepar e a ACSA (AirportsCompany South Africa), ficou em último lugar na pesquisa. Em uma escala que vai de um a cinco, Cumbica obteve 3,09 pontos. Pela regra do contrato de concessão, a estatal Infraero, participa do consórcio do aeroporto com 49%, enquanto a iniciativa privada fica com os outros 51%.

Desde que a “eficiente gestão privada” assumiu os aeroportos, começaram a aparecer os resultados. Em 2013, uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 111 operários nas obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), que estavam submetidos a situações análogas a escravidão.

A concessionária terceirizou os serviços contratando a empreiteira OAS, que foi autuada pelo MTE. No entanto, a GRU Airport foi incluída na ação cautelar.

Confins, assim como Guarulhos, caiu de posição, no caso de 3º para o 7º lugar. “Provavelmente, a percepção do passageiro foi influenciada pelas obras e isso o fez cair de posição”, explicou o secretário executivo da Secretária Nacional de Aviação Civil, Guilherme Ramalho. Concedido à iniciativa privada estrangeira, Viracopos também caiu no conceito dos passageiros. O motivo, acredita Guilherme, é o mesmo de Confins. Segundo ele, quando as obras prontas ficarem prontas, os passageiros melhorarão a avaliação do aeroporto. Não se sabe quando isso acontecerá.

Porém segundo a pesquisa, entre os pontos avaliados estavam a estrutura, o estacionamento, os serviços, o tempo de espera para fazer o check-in e receber as malas. Quem passa pelos terminais disse que se sente inseguro e que falta limpeza. A reclamação foi geral: do atendimento, da falta de conforto, da falta de cadeiras, nada relacionado a obras em andamento conjunto ao funcionamento foi apontado como fator de rejeição pelos usuários.

A estatal Infraero é uma das maiores administradoras de aeroportos de todo o mundo. Os aeroportos já privatizados e os colocados à disposição dos leilões são os mais lucrativos do Brasil. A privatização da época dos tucanos se mostrou um verdadeiro desastre em todos os sentidos. A começar que foram parar em mãos estrangeiras, os financiamentos sendo feitos pelo Estado brasileiro e os lucros sendo remetidos para o exterior, já que a imensa maioria das empresas foi açambarcada por multinacionais. É o que está acontecendo com os aeroportos. Por exemplo o próprio Aeroporto de Guarulhos pela sul-africana ACSA, o aeroporto de Brasília pela Corporación América, da Argentina e o aeroporto de Campinas – Viracopos pela francesa Egis Airport Operation. Nenhuma delas melhor e mais bem conceituada no mundo que a Infraero.

Em contraste a política de privatização dos transportes aéreos (e de todos os outros) de governo federal, está o Aeroporto Internacional de Curitiba – Afonso Pena, administrado integralmente pela Infraero, que ficou em primeiríssimo lugar pelo segundo ano consecutivo, na pesquisa da Secretaria Nacional de Aviação Civil. O Afonso Pena ficou com 4,1 pontos e a nota média dos aeroportos brasileiros ficou em 3,82 pontos.

Na maioria dos aeroportos, o custo do estacionamento, para fazer compras e principalmente para a alimentação são os itens que deixam os passageiros mais insatisfeitos. A pesquisa foi feita no segundo trimestre, em junho.

Os aeroportos analisados foram: 1º- Curitiba – 4,10; 2º – Santos Dumont – 4,07; 3º – Recife – 4,06; 4º- Congonhas – 4,05; 5º- Porto Alegre – 3,99; 6º- Galeão – 3,93 (privatizado); 7º- Confins – 3,93 (privatizado); 8º- Brasília – 3,88 (privatizado); 9º- Fortaleza – 3,85; 10º- Salvador – 3,75; 11º- Manaus – 3,63; 12º- Campinas – 3,49 (privatizado); 13º- Cuiabá – 3,32; 14º- Guarulhos – 3,09 (privatizado).

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Minas Sem Censura: Juiz, nomeado por Aécio, vendia liminares para traficantes na região de Cláudio; guardador da chave do “aecioporto” intermediava

 

publicado em 8 de agosto de 2014 às 13:23 VIOMUNDO

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Recordar é dever: o esquema de vendas de liminares em Minas

Helcio Valentin, nomeado por Aécio Neves para o TJMG, junto com Tancredo Tolentino implementava um esquema de venda de liminares para traficantes, exatamente na região do afamado aeroporto de Cláudio.

do Minas Sem Censura

Em abril de 2012, o programa “Fantástico” (Rede Globo) exibiu reportagem demonstrado um esquema de venda de liminares para a soltura de presos acusados de tráfico de drogas em Minas Gerais.

Segundo a reportagem, o desembargador Hélcio Valentin, nomeado pelo então governador Aécio Neves, para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, recebia propina para liberar os tais presos. Valentin foi nomeado para o TJMG numa lista tríplice enviada pelo Ministério Público de Minas Gerais, no qual ficou em segundo lugar. Por que o então governador não nomeou o primeiro da lista? Qual o critério para nomear o segundo e não o primeiro ou o terceiro da lista?

Quem mediava a relação entre os traficantes e o desembargador, como demonstrado na reportagem, era Tancredo Tolentino, de Cláudio. Que, não por coincidência, era o guardador da chave do aeroporto da cidade e parente do ex-governador Aécio Neves.

Por coincidência, o helicóptero que transportou, em escândalo recente, mais de 400 quilos de pasta base de cocaína, foi abastecido na mesma região, conforme investigação da polícia federal.

Essa região de Divinópolis, Cláudio e adjacências está ficando mal afamada.

Veja, na íntegra, a reportagem do programa “Fantástico”.

http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/v/desembargador-libera-traficantes-em-troca-de-dinheiro/1915359/

Vídeo-montagem de Lamarca 73 a partir de reportagens sobre a denúncia; contém a íntegra da matéria do Fantástico

 

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MARCELO ALMEIDA, FALTA DE GENEROSIDADE E A SÍNDROME DA PESSOA RICA

 

 

Por Cláudio Fajardo

Marcelo Almeida, candidato ao senado pelo PMDB do Paraná, tem uma fortuna situada em torno de oitocentos milhões de reais. Nem quero entrar na discussão de que esse capital é resultado de trabalho não pago àqueles que eram empregados nas empresas C.R. Almeida e outros empreendimentos familiares. Sim, a famosa mais-valia. Não entro nessa discussão porque desconfio que Marcelo jamais entenderá, e se vier a entender jamais aceitará, essa teoria econômica. Parto dessa fortuna como um dado, o dado de que ele é proprietário e isso o colocou como o homem mais rico do parlamento brasileiro. Continue Reading »

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Max Altman: Israel não é – e não pode ser o “Estado Judeu”

 

publicado em 6 de agosto de 2014 às 9:58 VIOMUNDO

gaza

por Max Altman, no blog do Altamiro Borges

Faz tempo que as forças da direita e extrema-direita em Israel, hoje amplamente majoritárias, e as entidades do ‘establishment’ judaicos em todo o mundo, tentam criar a matriz de opinião de que o antissionismo é a outra ou a nova face do antissemitismo. Este argumento, produzido com o objetivo de criar a ilusão da verdade, é inconsistente, incorreto e deliberadamente enganoso. A estratégia é clara e serve aos interesses ideológicos dos sucessivos governos de direita de Israel: qualquer crítica a esses governos, a sua política belicista e expansionista ou aos objetivos históricos do sionismo leva os críticos a receber a pecha de antissemitas, e se forem judeus, ainda a de traidores e de vergonha de serem judeus.

A identificação de antissionismo com antissemitismo é levantada como escudo moral, esperto e cínico. É que antissemitismo carrega uma conotação milenar de discriminação, perseguição, humilhação, condenação, extermínio de um povo pelos detentores de poder nos vários momentos da História: Inquisição, “pogroms”, Holocausto … Vasta parcela da humanidade defensora das liberdades, dos direitos humanos, da justiça social, da convivência e fraternidade entre os povos, da paz, em especial a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, e diante dos horrores do nazi-fascismo, passaram a ver a discriminação contra os judeus como a mais abjeta das discriminações raciais. Qualquer manifestação antissemita é imediatamente condenada e seus responsáveis execrados.

Foi no cenário de pós-Segunda Guerra Mundial que as Nações Unidas aprovaram a Partilha da Palestina. Judeus progressistas não sionistas e de esquerda em todo mundo – e pode-se afirmar que na altura tinham importante peso numérico – saudaram o novo Estado. Afinal, a União Soviética saia da hecatombe mundial com enorme prestígio. O Exército Vermelho, principal responsável pela derrota de Hitler, salvara a humanidade da sanha do nazi-fascismo. E na sua ofensiva ao coração da Alemanha nazista abriu as portas do sinistro campo de extermínio de Auschwitz. Isto calou fundo na alma de grande parte do povo judeu. O episódio da libertação de Auschwitz pelas tropas soviéticas marca nos dias de hoje a lembrança anual do Holocausto.

Na decisão da Partilha da Palestina a URSS logo se mostrou favorável ao anseio dos judeus sionistas de se estabelecer nas terras ancestrais. A ideia de uma região autônoma judaica já tinha se tornado realidade na criação –algo esdrúxula – pelo governo soviético em 1934 de Birobidjan na longínqua fronteira com a China, mas o projeto não foi adiante. Os Estados Unidos a princípio se mostraram reticentes e a Grã Bretanha, por seus interesses na região, resistiu o quanto pode.

Os judeus progressistas não sionistas saudaram a proclamação da independência de Israel. No conflito bélico que se seguiu, armas provenientes da Tchecoslováquia, país-membro do bloco socialista, serviram para consolidar o Estado. Mas criticaram duramente a expulsão e a pilhagem dos habitantes que há séculos viviam naquelas terras, bem como os massacres praticados por organizações terroristas judaicas como o Irgun e o Stern contra a população palestina.

Centenas de milhares de judeus de todo o mundo emigraram para Israel. Muitos dos sobreviventes da “solução final” simplesmente queriam iniciar uma nova vida no país que se formava. A maioria acreditou na consigna de Theodor Herzl “dar a um povo sem terra a uma terra sem povo”, essência do sionismo. Historicamente falso, porque aqueles territórios eram ocupados por uma população autóctone palestina que convivia com uma população judaica, então minoritária.

Os fundadores da nação israelense eram militantes sionistas na Europa nas primeiras décadas do século 20, bastante influenciados pelos ideais do socialismo e da social-democracia. E isto se refletiu no modelo de país que acabaram formando. Os dois pilares desta construção – e a marca daqueles primeiros tempos – foram, na cidade, o Histadruth, a poderosa federação de trabalhadores, no campo, os ‘kibutzim’, fazendas coletivas de forte inspiração socialista (hoje reduzidos a uma expressão desprezível). Constituiu-se como um Estado laico, embora com pesadas concessões ao segmento religioso conservador especialmente no que dizia respeito aos direitos civis. Um expressivo contingente populacional árabe permaneceu no território no novo Estado. Partidos trabalhistas de centro-esquerda e esquerda sionista dominavam o Knesset (parlamento) e o partido da esquerda não sionista que reunia judeus e árabes tinha importante presença na cena política. A convivência com os palestinos e os países árabes vizinhos era tolerável.

As coisas começaram a mudar quando Israel resolveu estabelecer no começo dos anos 1950 com os Estados Unidos uma íntima relação geo-estratégica. A situação foi se tornando complexa e se sucedem guerras – nacionalização do Canal de Suez, Guerra dos Seis Dias, Guerra do Yom Kipur, ocupação, atentados terroristas com homens bombas, massacres – Munique, Sabra e Chatila, Intifadas, retaliações sangrentas de lado a lado, o ódio se alastrando e o fosso da discórdia se abrindo.

Houve momentos em que as negociações de paz poderiam chegar a bom termo – Acordo de Camp David, Acordos de Oslo. O assassinato de Yitzhak Rabin por um fundamentalista de extrema-direita pôs tudo a perder.

Outro fenômeno foi uma radical mudança na composição demográfica. O denso fluxo imigratório dos judeus da ex-União Soviética e dos países árabes, além do crescimento da população religiosa judaica ultraconservadora nos anos 1980 fez com que a base eleitoral se inclinasse hegemonicamente para a direita elegendo, daí por diante e por grande maioria, partidos de direita e extrema-direita que hoje governam Israel.

O sionismo dessa gente comandada por Netanyahu e Lieberman, pelas mãos de seus cães de guerra, está cometendo crimes de guerra, ultrajando moralmente os valores seculares do judaísmo. O repetido massacre de crianças, recolhidas em abrigos das Nações Unidas, constitui uma grave e imperdoável violação das leis humanitárias universais. Seria capaz algum ser humano sensível e justo defender essa selvageria, a punição coletiva de um povo? O ser humano, seja ele judeu ou não, que abomina o horror dos bombardeios a que se assiste em Gaza pode ser acoimado de antissemita? Podem ser chamadas de antissemitas as pessoas que se opõem à política sionista de extensão dos assentamentos na Cisjordânia, anexando aos poucos o que chamam de Judeia e Samária, ou seja, o “Grande Israel”, expulsando os palestinos para fora dessas fronteiras?

Circula nas redes sociais manifesto de entidades progressistas judaicas de longa tradição da Argentina, do Brasil e do Uruguai. Condenam a direita israelense e o Hamas como cúmplices da destruição de qualquer avanço nas negociações em direção a uma paz justa e duradoura. E propõe: 1. Um imediato, incondicional e permanente cessar-fogo entre Israel e a Faixa de Gaza, com a retirada das tropas israelenses. Que o cessar-fogo seja supervisionado pelos capacetes azuis da ONU; 2. Desocupação dos territórios palestinos, estabelecendo-se novas fronteiras com base nas linhas existentes antes da guerra de junho de 1967 e respeitando-se a resolução número 242, da ONU, aprovada em 22 de novembro de 1967; 3. A implementação da fórmuladois povos para dois estados, com reconhecimento mútuo e garantias para a segurança de ambos. Que o estado palestino tenha direito a manter todas as instituições definidoras de um estado moderno; 4. O combate a todas as manifestações de antissemitismo originadas no conflito entre os dois povos. Repudiamos energicamente as tentativas de criminalizar todo o povo judeu por conta de atitudes dos governos israelenses. Podem essas entidades que tradicionalmente se opuseram e se opõem ao sionismo também ser tachadas de antissemitas?

Israel não é – e não pode ser o ‘Estado Judeu’. Nele habitam atualmente cerca de 21 por cento de cidadãos árabes-israelenses. Um ‘Estado Judeu’ os excluiria e se transformaria numa nação racista. Amplos setores políticos já vem propondo essa limpeza étnica. O chanceler Avigdor Lieberman, por exemplo, líder do partido Beiteinu (Nosso Lar) com forte bancada no parlamento, defende que os árabes-palestinos sejam deslocados para algum território fora das fronteiras atuais de Israel. Isto se chama limpeza étnica.

Há um clima atual em Israel de patriotismo fanático, cego e opressivo. Já não é raro se ouvir nas ruas de Tel Aviv e Jerusalém gritos de “Morte aos árabes” e “Morte aos esquerdistas”. É assustador. A História já nos mostrou.

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GAECO PRENDE 8 ACUSADOS POR FRAUDES EM AÇÕES DE PESCADORES DO PARANÁ

Albari Rosa/Gazeta do Povo / Arival, conhecido como Junior, delatou o caso ao MP e está foragido após mandado de prisãoArival, conhecido como Junior, delatou o caso ao MP e está foragido após mandado de prisão

INVESTIGAÇÃO

Gaeco prende 8 acusados por fraudes em ações de pescadores do Paraná

Entre os presos estão um juiz aposentado, um escrivão e dois advogados. Ministério Público identificou desvios em custas processuais

GAZETA DO POVO

Publicado em 06/08/2014 | FELIPPE ANÍBAL, OSWALDO EUSTÁQUIO E MAURI KÖNIG

Oito pessoas foram presas ontem – entre elas um juiz, um escrivão e dois advogados – acusadas de montar um núcleo de fraudes milionárias dentro da 1.ª Vara Cível de Paranaguá, no Litoral do Paraná. Investigações da 1.ª Promotoria de Justiça Criminal de Paranaguá revelam que o esquema estaria funcionando desde 2003. A fraude consistiria em arrecadar dinheiro com as custas processuais das ações de indenizações movidas pelos pescadores contra a Petrobras em decorrência de dois desastres ambientais ocorridos em 2001 no litoral do estado.

INFOGRÁFICO: Veja o papel atribuído pelo MP aos presos

Os acidentes

18.10.2001 – O navio Norma bate em uma pedra na baía de Paranaguá e um dos tanques que transportava nafta é atingido provocando o vazamento de 392 mil litros do produto, um derivado do petróleo altamente inflamável.

16.02.2001 – Em decorrência de fortes chuvas, a barreira de proteção que cercava o Poliduto Olapa, da Petrobras, se rompeu, jogando nas baías de Antonina e Paranaguá 48.500 litros de óleo.

15.11.2004 – O navio chileno Vicuña explode e mata dois tripulantes, despejando 291 mil litros de metanol, óleo diesel e óleo lubrificante na Baía de Paranaguá, que impediram a pesca por dois meses. Foram atingidas quatro unidades de conservação.

Colaboração

Líder de pescadores teria participado do grupo

O presidente da Colônia de Pesca Z1 de Paranaguá e da Federação dos Pescadores do Paraná, Edmir Manoel Ferreira, conhecido como Edmir da Pesca, foi apontado pelo Ministério Público como um dos participantes da organização que se formou no litoral do Paraná com o objetivo de lesar os pescadores nas indenizações referentes aos acidentes ambientais ocasionados pela Petrobras em 2001.

Em depoimento ao MP, a advogada Cristiane Uliana disse que Edmir da Pesca, conhecido no esquema como “Jonas”, além de ter participado no início das atividades do grupo com a captação de procuração e reuniões com pescadores, recebia valores para representar Cristiane perante os pescadores. O líder dos pescadores da Ilha de São Miguel, Jaime do Rosário disse à Gazeta do Povo que o povo caiçara está muito triste de saber que seu presidente ajudou a lesar os pescadores.

A Gazeta do Povo noticiou ontem a morte da principal liderança caiçara do Litoral do Paraná, Diarone das Neves, que presidia a Associação Caiçara de Desenvolvimento do Litoral. Ele era o principal opositor do grupo de Edmir da Pesca, que está há 32 anos na liderança da Colônia. No velório, os pescadores criaram um movimento chamado Viva Diarone, que além de pedir a atenção dos órgãos superiores de justiça como o CNJ e a Corregedoria, pedia o afastamento do presidente da Colônia até a conclusão das investigações pelo MP.

O advogado Omar Elias Geha, que representa Ferreira, disse que passou a tarde no Gaeco, mas não teve acesso às denúncias. Segundo ele, Ferreira deve prestar depoimento hoje. “Ele não tem motivos para ser preso. É um absurdo você prender uma pessoa que nunca teve nenhum envolvimento com nada. Mas o papel aceita tudo.”

Foram presos preventivamente o juiz aposentado Hélio Tsutomu Arabori, o escrivão Ciro Antônio Taques, o advogado Marcos Gustavo Anderson. Com a prisão preventiva decretada, o serventuário da Justiça Arival Tramontin Ferreira Junior está foragido. Os quatro seriam os cabeças do esquema, liderado por Taques. Outras 12 pessoas acusadas de participar do esquema tiveram prisão temporária decretada ontem. Cinco delas foram detidas e sete estão foragidas. Ao grupo são imputados crimes de quadrilha, apropriação indébita, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A movimentação foi intensa ontem na sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Curitiba, que cumpriu os mandados de prisão. Além das prisões, 13 pessoas foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento. Os agentes do Gaeco cumpriram ainda nove mandados de busca e apreensão, nos quais apreenderam documentos e computadores e três armas de fogo.

Acusada de integrar o grupo, a advogada Cristiane Uliana não está entre as pessoas que tiveram a prisão decretada ontem porque ajudou nas investigações. Ela descreveu o esquema ao MP logo depois de a reportagem da Gazeta do Povo revelar que ela teria se apropriado indevidamente do valor das indenizações de 18 pescadores. Segundo as investigações, ela teria sido convidada a integrar o grupo em novembro de 2004, nas ações contra a empresa Cattalini Terminais Marítimos Ltda no acidente do navio Vicuña. Em 2005, passou a responder também por parte das ações contra a Petrobras.

O esquema

De acordo com as investigações, o esquema teria sido criado inicialmente para que o núcleo arrecadasse dinheiro a partir do recebimento de custas processuais das ações ingressadas pelos pescadores contra a Petrobras. Os cabeças do grupo teriam cooptado advogados, que visitavam ilhas do litoral e recolhiam assinaturas em procurações de pescadores, estimulando-os a ingressar com ações de indenização. O presidente da Federação de Pescadores do Paraná, Edmir Manoel Ferreira, também teria aderido à quadrilha e convencido outros pescadores a entrar com pedidos de indenização. Ele é um dos suspeitos presos temporariamente.

Segundo a 1.ª Promotoria de Justiça Criminal de Paranaguá, três empresas teriam sido criadas para operacionalizar “as vantagens indevidas” e para lavar o dinheiro, obtido a partir do esquema. Por meio delas os valores seriam repassados ao núcleo central. Segundo as investigações, caberia a Cristiane fazer os cálculos da partilha dos valores auferidos com as custas processuais. Taques, o escrivão acusado de ser o líder do grupo, ficava com 32% da arrecadação. Arival, conhecido pelo sobrenome Junior, ficaria com outros 32%. Cristiane e o juiz Hélio Arabori ficariam com 18% cada um.

As investigações contam com interceptações telefônicas e de e-mail, com a quebra do sigilo bancário – todos autorizados pela Justiça – e com uma série de depoimentos dos investigados.

A Gazeta do Povo tentou manter contato com os acusados presos ontem, mas não conseguiu falar com todos. O jornal está aberto a ouvi-los, ou a seus representantes, para dar sua versão sobre as acusações.

Esquema teria iniciado em 2003

Dois acidentes ambientais provocados pela Petrobras, em 2001, e outro envolvendo o navio chileno Vicuña, em 2004, teriam desencadeado as fraudes investigadas na 1.ª Vara Cível de Paranaguá. Para o Ministério Público, o esquema começou em 2003. As investigações traçam uma cronologia dos acontecimentos.

Entre 2003 e 2004, o escrivão Ciro Antônio Taques teria mandado o advogado Maximilian Zerek e Arival Tramontin Ferreira Junior (funcionário da Vara Cível e seu cunhado à época) percorressem o litoral do Paraná para colher assinaturas em procurações e contratos advocatícios para viabilizar ações de indenização a pescadores afetados pelos acidentes. Taques teria pago de R$ 8 a R$ 9 para cada procuração assinada.

A intenção de Taques seria receber valores decorrentes das custas processuais decorrentes das ações propostas contra a Petrobras, em relação ao vazamento de óleo do Poliduto Olapa. Haveria um acerto com o chefe do Cartório Distribuidor para o direcionamento dessas ações de indenização à 1.ª Vara Cível. A remuneração daqueles que participavam do esquema montado pelo escrivão seria paga com o dinheiro das custas processuais. Após a assinatura de procurações e honorários contratuais, de janeiro a setembro de 2004 foram ajuizadas milhares de ações em relação ao Poliduto Olapa e ao Navio Norma.

Pela investigações, os processos teriam ficado parados no Cartório da 1.ª Vara Cível até o acidente com o Navio Vicuña, em 2004, quando foi colocado a “mão na massa”. Para esse caso teria sido montada a mesma estrutura, com a participação do presidente da Colônia de Pescadores, Edmir Manoel Ferreira, e do advogado Maximilian Zerek para a captação de pescadores. Assim, teriam sido obtidas em um primeiro momento 2.340 procurações em relação ao acidente do Vicuña.

Em dezembro de 2004, Maximilian teria saído do esquema por não receber de Taques os valores combinados. As ações foram substabelecidas para outro advogado. Cristiane Uliana teria sido convidada a integrar o grupo nas ações contra a empresa Cattalini Terminais Marítimos Ltda, sobre o acidente do Vicuña. No ano seguinte ela assumiu parte das ações contra a Petrobras.

Em 2005, o juiz Hélio Arabori teria pressionado para entrar na partilha do dinheiro. Teria cabido a Cristiane fazer os cálculos sobre a participação de cada um no porcentual sobre os 30% dos honorários contratuais acordados com os pescadores nas ações contra a Petrobras. Os valores só passaram a ser recebidos em agosto de 2008, quando foi expedido o primeiro alvará de levantamento nas ações de indenização contra a Petrobras.