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OUVIDOS MOUCOS OS DE DILMA

OUVIDOS MOUCOS OS DE DILMA

Por Cláudio Fajardo

 

Logo após as jornadas de junho a presidente Dilma se apressou em dizer que os protestos eram legítimos e que o governo ouvira o recado das ruas. Dilma então passou a anunciar medidas que supostamente atendiam as reivindicações do povo. Mandou para o Congresso um arremedo de reforma política, declarou intenção de investir pesado na mobilidade urbana (o estopim dos protestos havia sido o preço e a qualidade do transporte coletivo), dentre outras coisas. Passados cinco meses das famosas jornadas, nem a reforma política saiu, nem a verba rolou para o transporte e, o mais grave, Dilma decide fazer a privatização do Campo de Libra apesar de todos os protestos das entidades sindicais, do movimento popular e dos mais renomados homens públicos e especialistas. Dilma fez ouvidos moucos. Decidiu ignorando os mais sensatos apelos. Não só não ouviu  como, além de tudo, mandou as forças repressivas calarem a voz das ruas.

Dilma traiu suas próprias promessas de campanha e os mais caros ideais do antigo PT.

Na mesma noite do Leilão, Dilma apareceu em rede nacional para tentar aplacar a onda de indignação dos brasileiros. Entoou um blábláblá interminável. Me fez lembrar uma famosa frase do esperto político mineiro, Magalhães Pinto: Sempre que você precisar explicar muito a sua posição, é porque ela não é uma boa posição política. Dilma tenta nos convencer de que a “partilha” não é privatização[1] e de que teremos dinheiro para a saúde, a educação e para financiar novas tecnologias. Quanto à partilha, o senador Requião já explicou que não passa de um neologismo que substitui o termo privatização com o intuito de engambelar o povo. Em relação aos recursos para a saúde e educação, todos sabemos que quem fez o projeto para aumentar o montante destinados a esses setores foi o deputado André Figueiredo do PDT do Ceará que derrotou a proposta do governo (pela proposta do governo teríamos apenas 25 bilhões em dez anos e a proposta aprovada pela câmara indica 210 bilhões no mesmo período).

A presidente Dilma mente, enrola, engana, promete sem cumprir e tergiversa. É esse tipo de comportamento que faz com que se desmoralize a política.

Felizmente algo de bom tem nisso tudo.  Cai a máscara do PT, partido demagógico, “um whisky paraguaio” como afirmou Stedile  dirigente do MST. Haverá uma debandada em suas hostes e, segundo fontes do próprio Palácio, não foi senão tentando aplacar o sentimento de traição entre os petistas e os aliados nacionalistas e de esquerda é que a presidente Dilma apareceu em rede no logo após leilão.

A degeneração do governo e do PT não tem volta. Lula já se ressente dessa deterioração. Mas, é inevitável que outros entes assumirão a representação dos interesses da vocação nacional. Adeus Dilma, adeus PT, adeus às ilusões.

 

 

 

 

 

 


[1] Não é o momento de tiroteio. É hora de celebrar a privatização do petróleo pelo PT, um divisor de águas histórico para o partido.

DE ELENA LANDAU, presidente do Instituto Teotônio Vilela do Rio e ex-diretora de desestatização do BNDES no governo FHC, sobre o leilão do campo de Libra. (Folha de São Paulo – 22/10/2013)

 

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