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Eduardo: fim do fator aumentaria renda e consumo do trabalhador

Em reunião com sindicalistas, governador disse que impacto do
fim do fator previdenciário é muito menor que as desonerações

governador de Pernambuco, presidente nacional do PSB e pré-candidato a presidente da República, Eduardo Campos (PSB), defendeu em encontro com lideranças sindicais, um almoço realizado na sexta-feira (13), em Recife, o fim do fator previdenciário. Esse mecanismo perverso, que os trabalhadores lutam para ser extinto, foi criado no governo FHC e, de acordo com o governador pernambucano, “tem reduzido, ano a ano, o valor da aposentadoria dos brasileiros”.

Para o governador, sua extinção traria benefícios para a economia. Segundo Eduardo Campos, “é uma conta simples”. “Houve R$ 140 bilhões de desoneração fiscal [promovida pelo governo]. O impacto do fim do fator previdenciário para as contas públicas seria de R$ 9 bilhões, segundo as últimas negociações com os sindicatos. Está aí claro que não houve priorização para isso”, disse Eduardo. “Eu teria feito desonerações também, mas teria priorizado o fim do fator previdenciário, porque isso vai direto para a renda e iria animar o consumo”, completou.

“É fácil chegar à conclusão de que o governo precisa atender a demanda do setor empresarial, mas não pode esquecer de apresentar resposta para este grave problema dos trabalhadores”, argumentou. “Se o governo devolvesse esses 9 bilhões aos trabalhadores, esse dinheiro voltaria para a economia na forma de consumo, deixando de penalizar a população. É possível fazer diferente. Quando um governo não ouve, seus olhos se fecham. E ele fica cego para os problemas urgentes do país”, destacou.

As Centrais Sindicais têm cobrando do governo federal a extinção do fator. As entidades esperam há mais de cinco anos uma posição do governo do PT sobre esse tema. Foram feitos protestos, reuniões e marchas à Brasília. Ocorreram várias audiências do movimento sindical com o governo para reivindicar o fim do fator previdenciário, mas nenhuma resposta foi obtida.

A insistência do governo Dilma em continuar espremendo a sociedade para atingir a meta do superávit primário (recursos economizados do Orçamento para pagamento aos banqueiros) fez com que o Planalto não só se recusasse discutir o assunto, como passou a trabalhar ativamente para impedir a aprovação da proposta no Congresso Nacional. O pretexto do governo contra o fim do fator é que essa excrescência, criada pelo tucanato para prejudicar os aposentados, garantiria “o equilíbrio nas contas da Previdência”. Aliás, o governo passou a barrar não só essa, mas qualquer proposta que signifique mais recursos para a população.

Diante de representantes sindicais das áreas de turismo, saúde, indústria, construção civil, transportes, servidores públicos, aposentados, químicos entre outros, o governador não só abraçou a reivindicação dos trabalhadores sobre a aposentadoria como aproveitou para pedir apoio ao seu projeto de chegar à Presidência da República. “Nos ajudem nesse caminho. Tem muita coisa que dá para fazer e para fazer rápido. Mas falta diálogo, falta decisão política”, afirmou o governador.

Participaram do almoço com o governador dirigentes de quatorze Confederações Sindicais, oito Federações de Trabalhadores, dirigentes da Força Sindical, da UGT (União Geral dos Trabalhadores), da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), da Nova Central, além de diversos sindicatos. O pacto do governador pelo fim do fator previdenciário foi muito bem recebido pelos trabalhadores presentes ao ato.

Segundo Eduardo Campos, o programa de governo do PSB e da Rede, de sua aliada Marina Silva, terá suas diretrizes apresentadas em janeiro e será concluído até julho. Durante mais de 30 minutos o governador se apresentou aos sindicalistas como alternativa capaz de acabar com a polarização entre o PT e o PSDB, criticou o baixo crescimento do PIB – de 1% em 2012- e falou em “novo pacto social”.

“O Brasil hoje vive uma crise de expectativa, porque as pessoas têm dificuldade de saber para onde o governo estava indo”. “A sociedade não aceita mais o pacto político de Brasília”, afirmou. “Nenhuma das outras forças pode dar ao brasileiro a segurança de que o país vai melhorar”. De acordo com o governador, a manutenção do diálogo “não é para amador”. “Não é só de vocês (dos sindicalistas) que eu tenho escutado reclamações sobre a alta de diálogo. Também tenho escutado empresários e eles falam sobre isso, tenho falado com políticos, prefeitos, governadores, parlamentares, então não é um privilégio dos senhores estarem falando sobre a questão da falta de diálogo. Acho que o diálogo é muito importante”, salientou.

O grupo, com cerca de 80 sindicalistas, apresentou no início do encontro uma pauta que incluía temas gerais, como erradicação do trabalho infantil, redução da jornada e previdência. Campos priorizou o fim do fator previdenciário. Além disso, o que mais repercutiu entre os dirigentes sindicais após o almoço foi a “disposição ao diálogo” reiterada pelo governador em seu discurso. “O encontro foi fundamental para abrir um canal de diálogo com os sindicatos, e ele [Eduardo Campos] se mostrou disposto”, afirmou o representante da Confederação Nacional do Turismo, Antônio Diogo dos Santos.

SÉRGIO CRUZ

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