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Duas notícias uma incerteza: o que será que vai acontecer?

A reunião de emergência convocada por Dilma não condiz com a tibieza dos protestos neste domingo. Algo mais deve estar em curso para essa atitude da presidente. Na mesma ocasião, os Ninja preparam uma inédita  ocupação urbana. A ocupação anuncia a participação de inúmeros movimentos, ONGs e coletivos. Que será que vai acontecer? (Claudio Fajardo)

Rapaz é baleado por PMs em protesto; Dilma convoca reunião
Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014 – 8:33 hs

Do Estadão:

Em um dos protestos mais violentos desde junho, a Polícia Militar baleou neste sábado um manifestante, que foi internado em estado crítico.

A tensão gerada pela onda de manifestações pelo Brasil, com atos de depredação e forte repressão por parte da polícia, fez a presidente Dilma Rousseff (PT) tomar, neste domingo, a decisão de se reunir com sua equipe para traçar estratégia para evitar que as ações cresçam e atinjam o ápice durante a Copa do Mundo.

Pablo Capilé: “Rolou um salto quântico de consciência no Brasil”

Idealizador do coletivo Fora do Eixo conversou com Zero Hora durante a tarde desta sexta-feira

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Pablo Capilé: "Rolou um salto quântico de consciência no Brasil" Bruno Alencastro/Agencia RBS

Pablo Capilé participou de dois debates durante a tarde de sexta-feira no evento Conexões GlobaisFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
Carlos André Moreiracarlos.moreira@zerohora.com.br

Idealizador do coletivo Fora do Eixo, que deu origem também à Mídia Ninja, rede alternativa de jornalismo que se tornou referência ao longo dos protestos de junho passado, Pablo Capilé participou nesta sexta-feira de dois debates na programação do Conexões Globais.

No primeiro, no início da tarde, discutiu sobre novas alternativas culturais em um evento que contou com a participação de nomes como o produtor musical Gustavo Anitelli, do Teatro Mágico, e o professor Teivo Teivanien, membro fundador do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial.

No fim da tarde, Capilé voltou a ao palco no abafado Teatro Bruno Kiefer para outro debate, que contou com a presença do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, sobre o futuro da democracia pós-manifestações de junho. Foi no primeiro desses encontros que Capilé anunciou pela primeira vez o próximo e ousado passo da rede Fora do Eixo: organizar a ocupação de uma área na Cinelândia, no Rio de Janeiro, e a instalação ali de uma “república”, uma zona autônoma de discussão de propostas sociais, com sua própria Constituinte, inclusive. No meio da tarde, no Café dos Cataventos, no térreo da Casa de Cultura Mario Quintana, Capilé conversou com Zero Hora e explicou como se dará a instalação dessa “república” no centro do Rio:

Zero Hora — Você anunciou aqui no Conexões Globais que este ano o Fora do Eixo estará envolvido na fundação de uma República da Cinelândia, um território autônomo. Como vai se dar esse processo? É uma ocupação?
Pablo Capilé —
 Na verdade a gente tem trabalhado para conectar movimentos que já desenvolvem uma vida comunitária há muito tempo. Indígenas, povos de terreiro, movimentos rurais e urbanos que têm trabalhado de forma comunitária e têm trabalhado para que essa comunidade consiga discutir com o resto da sociedade. Então a ideia é fazer uma ocupação com grupos e movimentos diversos, com transmissão ao vivo todos os dias, com shows, com constituinte própria, com conselhos… É criar um pequeno pedaço de um novo mundo possível.

ZH — Mas não como um conceito, e sim como experiência em um espaço físico?
Capilé —
 Em um espaço físico, no coração do Rio de Janeiro, que possa estabelecer diálogos com movimentos, com artistas, com jornalistas, com ativistas, não só de todo o Brasil, mas da América Latina e do mundo, em um ano fundamental para nós, que tem copa, tem eleições. Criar uma zona autônoma permanente que consiga o tempo inteiro fazer um diálogo com a cidade, que consiga ter esses ativistas ali reunidos para acumularem juntos novos repertórios e a partir dessa convivência conjunta fazer com que essas inteligências gerem novas alternativas para esse enfrentamento e para os debates que a gente vai ter que fazer em um ano tão singular quanto 2014.

ZH — Quando se fala em ocupação de uma área urbana, normalmente a reação do poder público se escora no uso da Justiça e da força policial para esvaziar essa ocupação. Mais de uma vez isso já redundou em conflitos físicos. Vocês estão levando em conta essa hipótese? Estão preparados para ela?
Capilé –
 Eu acho que são movimentos sólidos o suficiente para fazer o diálogo com a sociedade. Não precisamos do Estado para estar ali.

ZH — Sim, mas a pergunta é se vocês já imaginaram o que fazer na hipótese de uma reação intransigente do Estado, até com o uso da força.
Capilé —
 Eu acredito que o movimento vai estar sólido o suficiente para o Estado pensar muitas vezes se ele vai utilizar a força para tentar fazer aquele movimento sair dali. acho que vai haver uma correlação de esforços de pessoas, de intelectuais, de jornalistas, de artistas, de movimentos, de coletivos e de redes que são fortes o suficiente para demonstrar a seriedade do que está sendo construído e ao mesmo tempo deixar claro para o Estado que sem diálogo ele não entra. Não dá para o Estado jogar uma bomba, onde estão dezenas de movimentos, de pessoas organizadas e fazendo uma proposta que contempla um diálogo com a cidade, com a sociedade, em plena Copa do Mundo e em ano de eleição.

ZH — Você falou na Copa. Vocês pretendem fazer essa ocupação perto da Copa?
Capilé –
 Temos pensado ainda, dialogado com mais gente. Hoje foi a primeira vez que a gente falou publicamente a respeito disso, e isso é uma grande construção. Nos próximos dois meses e meio nós vamos estar sentando com o maior número possível de grupos e de movimentos, para sentir o que cada um pensa, para entender como que é, se é na Cinelândia, se é em outras praças ao mesmo tempo, se é no Brasil inteiro, se em alguns países da AL a gente já lança as ocupações em conjunto. A gente tem ainda uns dois meses e meio, mas entre abril e maio é a nossa data limite para que a República esteja de pé.

ZH — Um dos convidados deste Conexões Globais, Fabio Malini, comentou em uma entrevista recente que o período dos últimos meses, que alguns consideram de refluxo das manifestações de junho, na verdade estaria servindo para reconfigurar novas demandas e causas que devem explodir a partir dos próximos meses, como um aplicado de celular. Você concorda?
Capilé –
 Eu acho que não houve refluxo. Acho que rolou um salto quântico de consciência no Brasil. O Brasil mudou muito nos últimos sete meses. A juventude está mais consciente, os movimentos estão fortalecidos, as pautas estão muito mais claras para todo mundo que se envolveu nesse processo todo. O centro da coisa não era a continuidade de milhões de pessoas na rua, era a capacidade daquela grande jornada fortalecer quem estava na rua há 20, 30, 40 anos continuando as lutas que estavam fazendo. Acredito que ela foi um grande acelerador de partículas, e quem esteve aberto para dialogar com as jornadas conseguiu fortalecer aquilo que estava fazendo: os movimentos de direitos humanos, os movimentos ambientais, os movimentos de comunicação, as redes, os coletivos, as juventudes de partido, os partidos que conseguiram entender, refletir sobre aquilo e fazer autocrítica sobre as mensagens que estavam sendo ditas. Muita gente cresceu, as mídias alternativas, as próprias mídias tradicionais. Houve um grande embate de representatividade ali. Então tanto o Estado, os partidos, a imprensa, todo mundo ali teve que se ressignificar, e isso foi um grande salto de consciência.

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