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GOVERNO PORTUGUÊS QUER VENDER COLEÇÃO DE MIRÓ PARA SALDAR DIVIDAS DE PRIVATIZAÇÃO

Instalações da leiloeira Christie's, em Londres, ontem, já depois de terem sido retirados os quadros de Miró de exposição

DIÁRIO DE NOTÍCIAS (Lisboa)

por Lusa, publicado por Patrícia ViegasHoje

Instalações da leiloeira Christie’s, em Londres, ontem, já depois de terem sido retirados os quadros de Miró de exposição
Instalações da leiloeira Christie’s, em Londres, ontem, já depois de terem sido retirados os quadros de Miró de exposição Fotografia © D.R. – Emanuel Nunes
O CDS-PP defendeu hoje à Lusa, a propósito da coleção Miró, que tudo o que sirva para “aliviar” o “fardo” para os contribuintes que significou “os desvarios e os crimes” do BPN “não merece ser obstruído”.
“Os desvarios e os crimes que aconteceram ao BPN, além das consequências de uma nacionalização duvidosa, foram pagos por quem não tinha culpa alguma, o contribuinte, e o que seja aliviar esse fardo não merece ser obstruído”, afirmou o deputado do CDS-PP Michael Seufert.
O deputado centrista ressalvou que “o CDS não tem por hábito pronunciar-se sobre decisões judiciais”, desde logo, porque é “contra qualquer tentativa de judicialização da política ou politização da justiça”.
A leiloeira Christie’s cancelou hoje a venda dos 85 quadros de Joan Miró provenientes da coleção do ex-BPN, tendo afirmado em comunicado, que a decisão resulta “da disputa nos tribunais portugueses”, na qual “não é parte interessada”.
“Apesar de a providência cautelar não ter sido aprovada, as incertezas jurídicas criadas por esta disputa em curso significam que não podemos oferecer as obras para venda de forma segura”, lê-se no comunicado.
A providência cautelar que o Tribunal Administrativo de Lisboa foi interposta pelo PS para impedir o leilão da coleção de arte de Miró se realizasse.

PUBLICO (Lisboa)

Se juntarmos duas notícias diferentes em que Jorge Barreto Xavier é ouvido neste jornal, a da colecção Miró e a da ampliação do Museu do Chiado, encontramos um novo argumento, e forte, para o Estado decidir travar a venda das 85 obras em Londres. Coisa que a Christie’s prudentemente já fez, ao cancelar o leilão da colecção Miró.

Quando o Museu do Chiado ficar completo, com as suas obras de ampliação, parte dos 3300 metros quadrados que ganhará poderiam ser usados para expor tais obras. Imaginemos as escadarias do Governo Civil a darem entrada para um espaço onde esta magnífica colecção, pelo que podemos ver pelo catálogo da Christie’s, encontraria finalmente a sua vocação em Portugal: dar ao Museu do Chiado, que durante anos esteve “escondido” com a sua entrada enviesada na rua Serpa Pinto, um complemento que o tornaria um destino obrigatório dos portugueses e turistas que procuram o centro de Lisboa como espaço de cultura e lazer.

Se esta era a mais importante colecção do pintor catalão nas mãos de privados, passando para o Estado após a privatização do BPN, ela pode ser perfeita para a afirmação internacional do Museu do Chiado como Museu Nacional de Arte Contemporânea. Não se trata de fazer um novo museu, mas sim de garantir o crescimento a prazo do museu actual, dando-lhe uma dimensão que até aqui nunca teve — e que agora, por paradoxal que seja, lhe é proporcionada por um secretário de Estado que tão mal geriu o dossier Miró.

Se em leilão as 85 obras poderiam valer, para tapar parte do buraco do BPN que é pago pelos contribuintes, algo como 36 milhões de euros, nada garante que, a prazo, ficando em Portugal, elas não venham a render bastante mais. Impunha-se tal estudo antes de se avançar para a apressada venda, estratégia que o Governo parece preferir, trocando por dinheiro valores que nenhum dinheiro pagará. Se daqui em diante todos agirem com o bom senso demonstrado pela Christie’s talvez o caso Miró não venha a envergonhar-nos tanto.

CORREIO DA MANHÃ (Lisboa)
Leilão dos quadros de Miró cancelado pela leiloeira
Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa indeferiu a providência cautelar destinada à suspensão da venda do acervo das obras de Miró. (Atualizada às 19h40)
04 de Fevereiro 2014, 10h28Nº de votos (0) Comentários (16)
Por:Cátia Carmo com Lusa

 

O leilão das 85 obras de Joan Miró foi cancelado, esta terça-feira, pela leiloeira londrina Christie’s, em Londres. O leilão foi anulado em virtude “da disputa nos tribunais portugueses”, na qual a leiloeira “não é parte interessada”, diz em comunicado.
O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa indeferiu hoje a providência cautelar destinada à suspensão da venda do acervo das obras de Miró.

Os quadros encontram-se na posse do Estado português desde a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), seu anterior proprietário. A coleção é constituída por pinturas e desenhos e está avaliada em cerca de 36 milhões de euros pela leiloeira.
A venda das obras foi contestada em Portugal por um movimento cívico liderado pela Casa da Liberdade Mário Cesariny e pelo Coletivo Multimédia Perve, cuja petição alcançou 8.800 assinaturas na Internet, tendo sido aprovada por unanimidade na passada quinta-feira, na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura.
Ainda no parlamento, os partidos da oposição apresentaram propostas de resolução para travar a venda, tendo sido chumbadas pela maioria que apoia o Governo. O PS, por seu turno, requereu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o Ministério Público desencadeasse “medidas cautelares” que não permitissem a venda dos quadros de Joan Miró em Londres, depois de ter esgotado todas as iniciativas parlamentares no sentido de suspender essa venda.
Na segunda-feira, a PGR pediu ao Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa o decretamento provisório da providência cautelar destinada à suspensão da venda do acervo das obras de Miró.
REAÇÕES DOS PARTIDOS
O PCP considerou, esta terça-feira que a decisão de venda dos quadros Miró foi “ilegítima”, enquanto deputado do PSD Carlos Abreu Amorim acusou PS de “política baixa” devido à providência cautelar dos socialistas e cancelamento do leilão. Em resposta, o PS considerou que a decisão da Christie’s se mostrou mais sensata que a do Governo e que o Primeiro-Ministro é o principal responsável por este caso.
Manuel Tiago do PCP considera que “este comunicado da leiloeira comprova as questões com que o PCP confrontou o Governo, mas também o PSD e CDS, sobre a legalidade e a moralidade da venda desta coleção de obras. Era uma má decisão, com várias manchas e tomadas num ambiente demasiado opaco”, apontou o deputado do PCP.
O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim acusou o PS de fazer “baixa política” referindo-se à providência cautelar dos socialistas e consequente cancelamento do leilão de arte proveniente do banco BPN, entretanto nacionalizado. “O grupo parlamentar do PSD vem repudiar de forma significativa e cabal a atitude do PS que, desresponsabilizando-se daquilo que em muito tem a responder e não foi até agora respondido sobre a nacionalização do BPN, vem, neste momento, tentar fazer política baixa, numa situação que decorre da privatização do BPN e de todos os efeitos perversos que daí advieram”, declarou, nos Passos Perdidos do Parlamento.
Em resposta ao Governo, a deputada socialista Gabriela Canavilhas referiu, em conferência de imprensa na Assembleia da República que “a Christie’s demonstrou ser mais sensata do que o Governo. Verificamos com pesar a irrelevância do cargo de secretário de Estado da Cultura e é ao primeiro-ministro (Pedro Passos Coelho) que temos de pedir contas”.

 

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