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A União Europeia e a desindustrialização da França

sex, 14/02/2014 – 18:05 – Atualizado em 14/02/2014 – 18:05

Sugerido por ANTONIO ATEU

Do site Resistir.info

A UE e a desindustrialização da França

– De como um caniche “made in UE” deixa destruir a indústria francesa para melhor fraturar o solo da França

por PRCF [*]

Há muitas razões para publicar este texto em Portugal.   Aquilo que em França já é grave, em Portugal é gravíssimo.   A desindustrialização que afecta a França como uma constipação, atinge Portugal como uma broncopneumonia tripla.   Este texto mostra como os mitos do “crescimento e emprego” [1] da UE não passam de estratagemas para ludibriar os povos.  A França está hoje num processo de decadência económica e social que os portugueses conhecem demasiado bem.  Lá, é o resultado da política de cedências, ilusões e submissão do PS do sr. Hollande.   Aqui, é o resultado da recuperação monopolista e imperialista verificada ao longo dos últimos 39 anos de governação PS, PSD e CDS.  As mesmas causas levam às mesmas consequências.

O sr. Montebourg [2] deixa a UE destruir a produção em França e relança o gás de xisto

Florange, PSA Aulnay, Continental, Goodyear, e tantas outras empresas antes destas, a lista das destruições industriais em França é longa…E no entanto está longe de estar fechada, o último fabricante de carroçarias de autocarros em França a Carrier vai fechar as portas .São mais 180 postos de trabalho industriais destruídos (210 com os provisórios e quantos mais nos subcontratados (??) No entanto Carrier representava 400 autocarros por ano…Vão ser importados, é “bom” para a balança comercial!

Então é preciso constatar que por detrás das gesticulações dos charlatões o roubo industrial do nosso país continua. Seria preciso fazer a lista das instalações industriais destruídas desde a adesão à CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Das hulheiras do Norte às aciarias de Florange passando pela indústria açucareira, são sessenta anos da destruição industrial ininterrupta, como se um país pudesse viver não produzindo senão finança e seguros polvilhados de uma pitada de turismo.

Durante anos a crença neoliberal contou-nos que não era grave, pois os “cérebros” ficavam no país (de passagem um pouco de racismo colonial não ficava mal), que a classe operária era coisa do passado e que os fatos-macaco deviam dar lugar aos colarinhos brancos! Esquecendo que os engenheiros e os técnicos de produção também são classe operária !

Esquecendo que a investigação e desenvolvimento (I e D) não existem senão em apoio de uma indústria poderosa. Com a liquidação do património industrial bem avançada, agora é a I e D que começa a ficar em farrapos…Seria preciso ser muito ingénuo para acreditar que a gangrena neoliberal se contentaria com a carne, agora ataca os ossos.

Deslocalizações + desindustrialização = liquidação da I&D

Pela primeira vez em 2013, houve mais destruição de empregos em I&D que criação e isto afecta todos os sectores estratégicos como a informática, produtos farmacêuticos ou ainda a ótica e a eletrónica.

É necessário ser muito claro, é a política de descomprometimento do Estado, sob a pressão da comissão europeia e dos diktats de Maastricht, que são responsáveis por este naufrágio. Com efeito todos os grandes projetos de futuro em França depois da segunda guerra mundial, não puderam ser levados a efeito sem a intervenção do poder público.

Ariane, TGV, Airbus, equipamento nuclear, equipamentos hidroelétricos, fosse num quadro francês (TGV), fosse num quadro de cooperação entre estados (Ariane, Airbus), em qualquer caso, fora da “concorrência livre e não falseada” da UE…É pois natural que o capital privado preocupado em satisfazer os seus apetites glutões e imediatos prefira viver de rendas e oportunismo em vez de investimentos a longo prazo tendo em vista o progresso comum.

Sem recuar às “falências” das primeiras sociedades de autoestradas francesas que só deveram a sua salvação à retoma pelo estado , não é difícil verificar os estragos sobre as infraestruturas do futuro causadas pelo potentado de Bruxelas e seu cortejo de privatizações/territorialização. Energia, água, alta exorbitante das tarifas de gás e de eletricidade, telecomunicações, autoestradas, redes rodoviárias , SNCF é longa a lista de sectores privados ou privatizados nos quais os trabalhos de manutenção do existente e a execução de obras futuras deixam de ser feitas. E ao ritmo a que estão as coisas será em breve a indústria automóvel e todos os seus equipamentos que se deverão juntar a esta lista negra.

Enquanto alguns dizem que são apenas fantasmas, nós falamos forte: os factos são teimosos e não mentem. A França investe apenas 2,2% do seu PIB em I e D enquanto os EUA consagram 2,7%, a Alemanha 2,9% e o Japão 3,5%…e é ainda necessário salientar que o sector privado não assume as suas responsabilidades, pois os 20% da I e D consagrados à investigação fundamental, são quase inteiramente assumidos pelo poder público, nomeadamente através da CNRS, um organismo de público herdado da Frente Popular e da Libertação que os nossos euro-governantes desejam ardentemente liquidar.

Com Montbourg e a UE, destruição da produção industrial nacional e poluição vão juntas

Tudo isto é grave, mas destruir o potencial produtivo do nosso país não basta aos tiranos da zona euro. É preciso mais que este caniche fortemente teimoso mantido à trela por Margerie ( PDG da petrolífera TOTAL ) e os déspotas financeiros e apátridas de Bruxelas, prepara-se para destruir o ambiente esforçando-se para instalar exploração de gás de xisto em França …

Que ironia da História, depois de ter mandado para a rua milhões de trabalhadores da indústria pesada, o capital financeiro globalizados projeta poluir o nosso país destruindo o solo à semelhança do que se faz no Alasca, nos EUA.

Sim, decididamente com a UE os povos estão condenados a beber o cálice até à última gota. E então a gota “made in UE” tem o cheiro a betuminosos! Isto já não é “produzir em França”, é destruir a França.

No entanto, seguindo o exemplo que os nossos antepassados progressistas nos mostraram na Libertação , deixando-nos em herança alguns pecadilhos tais como o sistema de aposentações e reformas, a segurança social ou os contratos coletivos de trabalho, é possível escapar a este destino mortal, a esta tenaz que com uma machadada destrói a produção industrial e com outra polui o nossos território com golpes de fratura hidráulica de fluor-propano e outras gritantes obscenidades.

Para isto é preciso permitir ao nosso povo retomar o seu destino em mãos, o que passa pela saída da UE e do euro, passa pelas nacionalizações para permitir recriar um grande polo industrial de forma a produzir em França, isto é, assegurar a prosperidade do povo de França, a satisfação das nossas necessidades e não apenas os lucros de uma ínfima minoria de ricaços apátridas que não sabem que fazer do seu país.

De Luís XVI fugindo para a Áustria a Laurance Parisot (faz parte da administração de várias grandes empresas; presidente da confederação patronal MEDEF entre 2005 e 2013) que ameaçava numa rádio pública prejudicar a imagem da França no estrangeiro se a ANI do Medef [3] não fosse adotado, as classes privilegiadas sempre gostaram de trair o seu país.

Para sairmos das nossas dificuldades, sair da UE, do Euro, da NATO e do capitalismo, quebremos as cadeias de União Europeia.

Assim, à vista desta constatação alarmante, é necessário agir para tirar o nosso país da UE, do euro do capitalismo. Sim, é necessário que as forças progressistas da França se unam num CNR 2.0 [NT] e coloquem em primeiro plano a criação de um grande sector público nacionalizado industrial e financeiro para planificar a RECONSTRUÇÃO do nosso país largamente destruído e a reabilitação da classe operária permanentemente atacada e desqualificada desde há quarenta anos.

Sim, é preciso dizer saber dizer MERDA para a UE e seu cortejo reacionário e isso começa pelo boicote às eleições europeias de junho de 2014 [NR] .
[1] Ver Crescimento e desenvolvimento
[2] Arnaud Montebourg , ministro do Relançamento Produtivo
[3] ANI – Accord National Interprofessionnel, subscrito pela confederação patronal MEDEF e o sindicato CFDT. A CGT e a CGPME (Confedração Geral de PME) não o assinaram.
[NT] O CNR 2.0, foi lançado em dezembro de 2011 pelo presidente e fundador da URP (união Popular Republicana). Trata-se de um programa inspirado no Conselho Nacional de Resistência de 1944, mas adaptado às condições atuais . Da sua introdução destaca-se:   “a construção europeia não é a solução, é o problema”, propondo-se “libertar a economia, os serviços públicos e órgãos de comunicação social da penhora dos feudalismos privados.”
[NR] Em Portugal, na atual situação política, resistir.info não subscreve a tese do boicote a eleições.

[*] Pôle de Renaissance Communiste en France (PRCF)

O original encontra-se em www.initiative-communiste.fr/… . Tradução de VC.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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