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A situação das contas externas brasileiras

 

dom, 16/02/2014 – 05:00 – Atualizado em 16/02/2014 – 05:00

O IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) preparou um estudo amplo sobre as vulnerabilidades externas brasileiras. Minucioso, o estudo aponta problemas, mas, no geral, indica alguma folga para correções de rumo.

O estudo analisa as contas externas a partir de três perspectivas: os fluxos (resultado das contas externas de 2013); a evolução do passivo externo líquido (PEL); e a solvência (capacidade de financiar o déficit) no curto, médio e longo prazos.

O primeiro, é o resultado do ano; o segundo, a dívida acumulada ano a ano; o terceiro, a capacidade de pagamento da dívida.

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Sobre os fluxos

Desde 2009 vem aumentando o déficit em transações correntes (DTC). Em 2013 houve uma aceleração de 50% sobre 2012, atingindo o recorde histórico de US$ 81,4 bilhões.

Pela primeira vez, desde 2008, o financiamento não foi integralmente coberto pelo Investimento Externo Direto (IED), ampliando a dependência em relação ao investimento de portfolio estrangeiro (IPE), capital de curto prazo.

Pela primeira vez, desde 2000, houve um déficit – de US$ 6 bilhões – do Balanço de Pagamentos (BOP), financiado com a venda de reservas cambiais.

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Sobre os estoques

Como consequência do acúmulo de déficits, houve o aumento do PEL (diferença entre o passivo externo bruto, PEB, e o ativo externo bruto, AEB). De 2009 a 2013 o PEB cresceu 40%, indo de US$ 1,08 trilhão, para US$ 1,5 trilhão.

O dado positivo é que o maior avanço se deu no IED, menos volátil, que cresceu 82% contra 75% dos OIE (Outros Investimentos Externos) e apenas 3% do IPE (o mais volátil). Parte relevante desses investimentos em setores de commodities, comércio e serviços beneficiados pelo crescimento do mercado interno.

Outro efeito positivo foi a redução do Passivo Externo de Curto Prazo (PECP) – que inclui dívida externa de curto prazo e estoque de investimento de portfólio. Em dezembro de 2013, esse passivo de curto prazo somava ainda expressivos US$ 501 bilhões.

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Sobre a solvência externa

Em 2013 o PEL atingiu US$ 758 bilhões, 26,2% a mais do que em 2009, mas houve um recuo em relação aos três últimos anos, devido ao acúmulo de reservas cambiais, à depreciação cambial e à desvalorização das ações brasileiras.

Para avaliar a liquidez externa, o IEDI trabalhou com quatro indicadores, utilizando como denominador comum as reservas internacionais, que são os recursos em divisas que podem ser mobilizados no curto prazo em caso de fuga de divisas.

·  Indicador 1: razão entre a dívida externa de curto prazo e as reservas
 

·  Indicador 2: considera no numerador as necessidades brutas de financiamento externo (NBFE), , com o principal vencível da dívida externa de médio e longo prazo nos próximos 12 meses e o estoque da dívida de curto prazo; 
 

·  Indicador 3: razão entre o PECP e as reservas; 
 

·  Indicador 4: soma das necessidade bruta de financiamento externo com o estoque de IPE; este indicador mede a pressão potencial sobre as reservas internacionais do País no curto prazo.

Em comparação com 2007, há melhora nos quatro indicadores.

Ou seja, existe uma tendência preocupante, mas o país ainda dispõe de condições de saúde para aguardar a reversão.

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