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CURITIBA SEM ÕNIBUS

GAZETA DO POVO

Brunno Covello/ Gazeta do Povo /

TRANSPORTE COLETIVO

Ônibus param 100% hoje

Paralisação foi decidida em assembleia ontem à noite. Categoria diz que não recebeu notificação oficial da Justiça, exigindo efetivo mínimo entre 40% e 70%

Publicado em 26/02/2014 | FÁBIO CHERUBINI E RAPHAEL MARCHIORI

Em assembleia realizada na noite de ontem no centro de Curitiba, motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba e região metropolitana decidiram pela paralisação total do transporte coletivo a partir da 0h de hoje. A decisão contraria determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª região (TRT-9ª), que havia obrigado que 70% da frota fosse mantida nos horários de pico e 40% nas demais. O sindicato que representa a categoria disse que não poderia cumprir a medida porque ainda não havia sido notificado.

De acordo com o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), a categoria pede 16% de aumento real para motoristas e 22% para os cobradores. Nos últimos dois anos, motoristas tiveram 10,5% de reajuste – média de 4,16% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Além da revisão dos salários e do vale-alimentação, eles reivindicam outros 76 pontos.

Táxis


As operadoras de táxi de Curitiba esperam operar com a capacidade máxima já na manhã desta quarta-feira. Na Rádio Táxi Curitiba, todos os 230 carros da frota estarão nas ruas cedo. A empresa não planeja fazer agendamento de chamadas para hoje. Na Faixa Vermelha, ontem à noite, o número de ligações pedindo reservas de carros para a manhã desta quarta já era alto. A operadora registrava, por volta das 23 horas, uma média de 20 chamadas simultâneas. Entre 450 e 500 táxis da empresa estarão disponível hoje pela manhã para atender a demanda.

Na última paralisação feita pelos motoristas e cobradores, em 2012, a baixa disponibilidade de táxis em relação à demanda provocou um verdadeiro caos. Como a capital já possui um frota pequena de veículos em relação à população, em uma situação de greve dos ônibus a disputa por um táxi fica ainda mais acirrada.

Greve

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INPC

A Urbs trabalha com uma perspectiva de reajuste dos salários dos motoristas pelo INPC acumulado até fevereiro, algo entre 5,25% e 5,3%. Qualquer reajuste acima teria de ser objeto da Justiça de Trabalho. A categoria pede aumento real de 16% para motoristas e 22% para cobradores.

Com a decisão, cerca de 12.400 motoristas e cobradores devem cruzar os braços a partir de hoje. A medida afeta mais de dois milhões de usuários que são transportadas diariamente pela Rede Integrada do Transporte Coletivo.

Por conta do risco de ver Curitiba e região metropolitana paradas, a Urbs anunciou que poderá acionar um serviço de vans caso a categoria realmente pare 100% da frota.

Questionado se o Sindimoc cumpriria a decisão do TRT-9 quando notificado, o presidente do sindicato, Anderson Teixeira, afirmou que a entidade sempre busca cumprir a lei. “Recebendo a determinação, vamos repassar para nosso setor jurídico para depois discutirmos com a categoria como ela será cumprida e quantos trabalhadores serão empregados”.

Em reunião na semana passada, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) ofereceu um reajuste salarial conforme o INPC acumulado até fevereiro deste ano – o índice deve ficar entre 5,25% e 5,3%. Ontem, a entidade divulgou nota afirmando que os pedidos das entidades correspondem a aumento aproximado de 30% na folha de pagamento das empresas.

Tarifa

O anúncio de paralisação ocorreu às vésperas de a Urbs e as empresas dos consórcios responsáveis pelo transporte coletivo decidirem pelo reajuste na tarifa cobrada ao usuário – contratualmente previsto para todo dia 26 de fevereiro. Segundo a administração municipal, a decisão do aumento pode, inclusive, tornar o subsídio já anunciado pelo governo do estado insuficiente para cobrir os custos do transporte metropolitano.

O “nó” do transporte de Curitiba ainda pode sofrer encaminhamentos da Justiça. No último dia 6, o Tribunal de Contas do Estado determinou a redução da tarifa técnica (aquela repassada às empresas) em R$ 0,43 devido a supostas irregularidades no cálculo dessa tarifa. A determinação, porém, acabou derrubada menos de duas semanas depois em decisão proferida pelo desembargador Marques Cury, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR), atendendo a um mandado impetrado pelas empresas de ônibus. Ainda na segunda-feira, o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) disse que entraria na Justiça para pedir a cassação da decisão do TJ-PR, em favor da liminar do TCE-PR.

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