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Golpistas chamam FMI para pilhar a Ucrânia e seu povo

Hora do Povo

Senador McCain, que esteve em Kiev abraçando os nazistas, aconselhou o “novo governo” a “tomar duras e, às vezes, impopulares decisões” com a assistência do FMI, UE e EUA… além da CIA, claro

A Rússia acusou os EUA e a UE de faze-
rem fachada para o golpe fascista na Ucrânia e denunciou que o governo putchista instaurado no sábado (21) usa “métodos terroristas” contra os oponentes e virtualmente “proíbe o uso da língua russa inteiramente, encoraja a perseguição política, liquida partidos, fecha setores da mídia e remove as limitações à propaganda neonazi”. Moscou também denunciou o caráter anti-semita dos golpistas. Manifestantes na Crimeia e no sul e leste do país repudiaram o governo fascista. O Departamento de Estado e a União Europeia enviaram seus “hitmen” a Kiev para organizar a intervenção do FMI no país.

Depois de três meses de arruaças, incêndios e ocupação de prédios públicos e assassinatos encabeçados pelos nazistas do “Pravy Sektor” e do “Svoboda” em Kiev, em apoio aos laranjas pró-EUA, e com suporte e financiamento da CIA e de Berlim, não levou mais que algumas horas para ser rasgado o acordo que o presidente Yanukovich havia aceito na véspera, mediado por EUA e EU, para antecipação das eleições até dezembro, reforma constitucional até setembro com referendo, pacificação e constituição de um governo provisório de coalizão que teria inclusive poder sobre a polícia, e que havia sido assinado pela troika de “líderes oposicionistas”, e respectivos poodles de Obama, Merkel e Mussolini, “Yats”, “Klitsch” e Tyanabok.

Ao invés do acordo, o que entrou em vigor foi a retirada da polícia das ruas, a declaração, pelo exército, de que não se envolveria e cuidaria dos seus afazeres rotineiros, súbita mudança de lado de certo número de deputados do próprio partido do presidente, possivelmente após uma “gerência de personalidade” como a sugerida no famoso telefonema da subsecretária de Estado, Victoria Nuland, a renúncia, por carta, do presidente do parlamento, depois de ser espancado, enquanto os herdeiros de Stepan Bandeira, o infame SS assassino de judeus e comunistas na II Guerra Mundial, tornado “herói” nacional pelo governo de Bushshenko depois do golpe laranja de 2004, assumiam o controle da capital e de cidades no oeste do pais.

Foi nesse quadro que Yanukovich se retirou para a região do país, o sul e leste, onde seu partido tem a principal força em aliança com os comunistas. Em discurso na TV, ele condenou o “golpe de Estado”, reafirmou ser o “presidente legítimo” e que não pretendia deixar o país. Também comparou os acontecimentos com a tomada do poder por Hitler. Em Kiev, cercado por nazistas e black blocs, o “parlamento” em poucos minutos declarou “vaga” a presidência, violando a constituição, e escolheu um laranja para a “presidência em exercício”, Olexandr Turchynov, braço-direito da oligarca e milionária, Yulia Timoshenko. Chefes de polícia compareceram para o beija-mão. Rapidamente, foram “votadas” leis de exceção para perseguir os partidários de Yanukovich, os comunistas e a imprensa antifascista, e foi revogada lei que tornou o russo, falado por grande parcela da população, “segunda língua” do país.

Mais tarde, seria “decretada” a prisão de Yanukovich por “assassinato em massa” de “manifestantes pacíficos” – aquela gente boa que roubou 1.500 armas e 100.000 cartuchos de balas e disparou contra a polícia com fuzis, além de espancar, incendiar e depredar. Em várias cidades do oeste, estátuas de Lenin e uma ao “soldado soviético desconhecido” foram derrubadas por ensandecidos banderistas. Em Kiev, judeus passaram a temer por suas vidas e foram aconselhados por rabinos a permanecerem em casa, como registrado pelo jornal israelense “Haaretz”. No leste e sul da Ucrânia, manifestantes se levantaram contra o regime fascista, prometendo não se submeter. Os líderes regionais anunciaram que “estavam tomando todos os poderes em suas mãos” até que a ordem constitucional “seja garantida” em Kiev. Na Crimeia, uma multidão com bandeiras russas – é uma região autônoma originalmente russa que foi transferida à Ucrânia por Krushev – pediu proteção a Moscou.

Enquanto não há ainda uma declaração do presidente Vladimir Putin sobre a questão, o primeiro-ministro Dmitry Medvedev prontamente condenou o golpe, assinalando: “se você considerar como governo gente armada de Kalashnikov e de máscaras negras que estão vagando por Kiev, então será difícil para nós trabalhar com tal governo. Alguns dos nossos parceiros ocidentais pensam diferente, e os consideram as legítimas autoridades. Eu não sei que constituição, que leis eles estão lendo, mas me parece que isso é uma aberração … algo que é essencialmente o resultado de um motim armado”. Antes, o chanceler russo Sergei Lavrov havia denunciado “os pogromistas e extremistas cujas ações constituem uma ameaça direta à soberania e ordem constitucional da Ucrânia”.

“HERÓIS” DA OLIGARCA

Ás 16h16, hora local, segundo a BBC, um banderista, agora parceiro de Timoshenko – e conhecido por ter pedido em 2010 à União Européia que revogasse sua condenação à transformação do nazista em “herói nacional” -, e “comandante da praça Maidan”, Andriy Parubiy, declarou: “o poder é nosso”. Mais tarde, foi a vez da recém libertada magnata, condenada por corrupção e abuso de poder, saudar os “heróis do dia”. Depois, o “presidente em exercício” Turchynov pediu às potências amigas US$ 35 bilhões, declarando que os cofres estavam vazios. Rapidamente a Casa Branca, Londres e o chanceler alemão acenaram com pronta ajuda …. através de um pacote do FMI.

Mas foi o boquirroto senador John McCain, que havia ido a Kiev abraçar os neonazistas e laranjas a serviço dos EUA, quem melhor expressou o que espera a Ucrânia. “O caminho da reforma será difícil mas se o novo governo ucraniano estiver preparado para tomar essas duras e, às vezes, impopulares decisões, irá precisar de significativa assistência do FMI e da União Européia”. Os EUA também deverão “estar prontos para providenciar assistência adicional”, acrescentou. Yanukovich tentou por duas vezes negociar com o FMI, mas recuou porque o monstrengo queria aumentar o preço do gás em 40%, cortar salários e aposentadorias e privatizar o que ainda restou. Caso se submeta, a sorte da Ucrânia será ainda mais infeliz do que o infortúnio atualmente vivido pelos gregos.

                                      ANTONIO PIMENTA

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