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A PUTARIA COM O TRANSPORTE COLETIVO

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Tirem as crianças da sala

Por Valdir Cruz

 

Esta história é proibida para menores de 18 anos. Contém cenas de traição explícita, de jogo rasteiro e de deslealdade elevada ao nível máximo. E, como sempre, quem acaba pagando pelos desmandos é você. O relato a seguir, envolve o movimento das peças no tabuleiro que define o subsídio do transporte coletivo na Região Metropolitana de Curitiba. 

Divulgação

Governador Beto Richa e secretários Reinhold Stephanes e Ratinho Jr. 

O transporte coletivo em todo o Brasil foi elevado para item prioritário na agenda dos políticos em julho do ano passado, quando uma multidão invadiu as ruas de todo País protestando.

A partir deste protesto, o curitibano e os vizinhos passaram a ouvir, com frequência, uma palavra até então em desuso: subsídio.

Subsídio, neste caso, significa o dinheiro que o poder público coloca no sistema de transporte coletivo para que o valor da passagem não saia tão caro para o passageiro.

Em Curitiba, as linhas de ônibus são integradas com os 13 municípios da Região Metropolitana. Para que uma cidade não invista o dinheiro dos seus cidadãos em outra, o que é proibido, quem assumiu, legalmente, a operação do sistema de ônibus, chamada de RIT (Rede Integrada de Transporte Coletivo) foi o Governo do Paraná, por meio da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec).

Foi graças ao subsídio do Governo do Paraná ao transporte metropolitano, acertado em meio aos protestos do ano passado, que a Prefeitura de Curitiba conseguiu reduzir em 15 centavos o preço da passagem.

Todo dia 26 de fevereiro, pelo contrato assinado entre a Prefeitura de Curitiba e as empresas de ônibus, tem que haver a reposição dos valores carcomidos pela inflação do ano (aumento no preço do diesel, no salário dos motoristas e cobradores etc). Esse contrato foi assinado pelo então prefeito Beto Richa, que fez a licitação para operar o sistema de transporte coletivo em 2009. E prevê um termo incompreensível para a imensa maioria da população, chamada “tarifa técnica”, que é quanto as empresas embolsam, incluindo aí um lucro estratosférico.

 

Feita esta explicação, tirem as crianças da frente do computador. O que vem abaixo é pornografia explícita.

Por ser um ano eleitoral, agora em 2014, a questão do subsídio desceu ao nível da casa da mãe joana.

1) O governador Beto Richa passou a fazer um jogo dissimulado. Disse  que quando era prefeito nunca precisou de subsídio. E deu a entender que não mais bancaria o repasse de recursos estaduais para manter o custo da tarifa.

2) O prefeito Gustavo Fruet reagiu de maneira tímida e envergonhada.  Falou que o sistema de transporte de Curitiba era autossuficiente e que não precisava de subsídio, mas que o da Região Metropolitana não era.

3) Beto Richa seguiu enrolando. Disse que o prefeito não estava lidando com o sistema de maneira profissional e por isso precisava andar de pires na mão atrás de subsídio.

4) Gustavo Fruet falou mais grosso e pela primeira vez veio a público o termo “desintegração”. E que ganhou corpo quando o prefeito de Araucária, Olizandro Ferreira (PMDB) cortou o subsídio para a linha que liga o seu município a Contenda.

Negociação

 Acuado pela ameaça de desintegração, que deixaria a ver navios mais de 400 mil eleitores, o governador Beto Richa voltou a negociar.

Parecia um estadista.

Determinado.

Resoluto.

E enérgico.

Tirou as negociações das mãos do secretário do Desenvolvimento Urbano, Ratinho Júnior, a quem a Comec está vinculada, e passou-as para a Casa Civil, sob o comando do experiente e sério Reinhold Stephanes, que deveria reportar-se sobre o assunto diretamente com o governador.

Magoado, o secretário Ratinho Júnior passou a despachar na Rede Massa, de propriedade de seu pai, e não mais na secretaria. 

Conduzidas com firmeza, as negociações avançaram. 

Na primeira reunião na Casa Civil, a Prefeitura de Curitiba pediu um valor de 12 milhões de reais por mês para manter o transporte integrado e com a redução de tarifa pedida pelo Tribunal de Contas.

As negociações seguiam o seu caminho, com a imprensa sempre sendo mantida à distância.  Este blog divulgou a realização de uma das reuniões, mas a Secretaria Estadual de Comunicação negou categoricamente, para uma das televisões de Curitiba, que ela estivesse sendo realizada. 

O prefeito Gustavo Fruet passou a confiar nas negociações conduzidas por Stephanes. E o valor inicial pedido, de 12 milhões, foi sendo reduzido, até chegar num valor de R$ 7 milhões, que foi aceito por todas as partes.

Tudo ia bem. E dava-se como certo que um acordo seria fechado.

Foi aí que tudo desandou.  

Sem mais nem menos, o governador puxou para ele a responsabilidade sobre o assunto. E numa entrevista à “Gazeta do Povo”, anunciou a manutenção do subsídio no valor de cinco milhões-mês. O mesmo que já vinha sendo pago desde a explosão da revolta popular, em julho passado.

No dia seguinte à entrevista, uma onda de publicidade do governo sobre o subsídio invadia a mídia, outdoors e, inclusive, o facebook. 

Quer dizer: a campanha foi feita enquanto as negociações ocorriam.

Assim, o governador fez de moleque o seu mais experiente secretário. 

E fez de bobos os prefeitos de Curitiba e da Região Metropolitana, que acreditaram que a negociação era séria.

A campanha publicitária mostrou a ma-fé do governo na questão, pois foi feita antes de as negociações serem concluídas. 

E, parte dessa campanha, incluía entrevistas do governador para alguns veículos de comunicação. E, assim, o principal jornal do Paraná entrou sem querer neste jogo publicitário, fazendo “uma entrevista exclusiva” com Beto Richa.

 

Passados alguns dias dessa jogada de marketing, a questão do subsídio volta à pauta.  O valor oferecido unilateralmente pelo governador não agradou ninguém.

E, mais do que nunca, a RIT corre sério risco de acabar. 

Para uma nova negociação, a credibilidade do governo, agora, é inferior a zero.

E uma questão está no ar?

Ao esvaziar a negociação e os negociadores, governador fez  uma jogada de mestre ou uma jogada de cafajeste? 

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