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AGORA A OPOSIÇÃO JÁ TEM VOZ FIRME

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Por Cláudio Fajardo

Até há pouco a mídia, os analistas, os descontentes, os constrangidos e até mesmo gente do governo reclamavam que nos faltava, ao Brasil, uma autêntica oposição. Uma oposição que fosse muito alem do NÃO e que tivesse um projeto de longo prazo para o País. Pois bem, parece que a coisa começou a mudar.

Recentemente lá na capital dos Maracatus, Nazaré da Mata em Pernambuco, se ouviu uma voz mais firme, uma contestação mais aberta, um apelo que vai se encorpando e formando um sentimento: “Não dá mais para ter quatro anos de Dilma que o Brasil não agüenta. O Brasil não agüenta e o povo brasileiro sabe disso. É no Brasil inteiro”. Para Eduardo Campos, a adversária e atual presidente, “acha que sabe de tudo, mas não sabe é de nada”.

Bem distante dali, no maior centro industrial e comercial do Brasil, São Paulo, segundo relatou  o jornalista Ricardo Kotcho, Eduardo Campos, bastante aplaudido, repetiu as mesmas críticas que os empresários vêm fazendo ao governo: “Para os agentes econômicos fica a impressão de que falta um olhar de longo prazo. Para onde estamos indo, o que vamos fazer?

Na mesma São Paulo, não faz muito tempo, um outro poderoso setor, o do agro-negócio, articulava-se para conversar com Marina Silva, pré-candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, para “acertarem as arestas”, reduzindo os radicalismos de lado a lado. Assim, no Estado mais importante da Nação, vai se encorpando uma aliança de amplos setores da economia nacional em apoio à idéia de retomada do desenvolvimento. Quando essas coisas ocorrem, a história nos demonstra, surge objetivamente uma frente política, uma Frente Nacional. Campos, passa então, a formar essa frente porque percebe que o Brasil precisa avançar.

Em recente entrevista, Eduardo Campos mostrou porque se diferencia dos outros postulantes à presidência. “Porque nós temos uma tradição progressista, de esquerda, democrática, de quem ajudou a construir a democracia nesse país, de quem resistiu à ditadura, de gente que ajudou a transição democrática e a transição econômica que o Brasil viveu e que sempre esteve na base de sustentação do projeto que levou Lula à presidência da república. Desde 1989 que o meu partido fez parte da frente Brasil Popular. Ajudamos a construir esse projeto. Eu tive a honra de ser ministro do Presidente Lula no seu primeiro mandato, como também a Marina Silva, a minha companheira da Rede de Sustentabilidade. E nós, diferentemente de outros que negam os avanços que ocorreram na sociedade brasileira, fizemos parte e ajudamos a construir esses avanços. Há muita luta acumulada, muitos acertos que permitiram que nesses últimos anos o Brasil pudesse viver um ciclo que o melhorou. Mas agora é preciso construir um novo ciclo que permita consolidar as conquistas feitas e que abra portas a novas conquistas. O que a gente percebe é que hoje a base que sustenta o Governo tem uma hegemonia claramente conservadora, de partidos que nunca estiveram nem diretamente envolvidos na construção democrática, nem na construção da estabilidade econômica nem tiveram nenhum link de preocupação com o social.”

 

Setores governistas e setores da velha mídia tentam desclassificar a candidatura de Eduardo Campos sugerindo ora que ele está fazendo acordo com os tucanos, ora que está agregando setores conservadores tais como os Bornhausen, Roberto Freire e Ronaldo Caiado.  A velha mídia deveria ser a última a tentar uma crítica dessa natureza, pois esses são os setores classicamente apoiados por ela. Talvez, justamente por isso, porque está perdendo o controle sobre o que acha que constitui sua base. Quanto aos setores governistas, esses então é que não poderiam falar. Pois quem tem como aliados o Kassab, o Maluf, o Sarney e Renan Calheiros  não pode reclamar de qualquer conservadorismo do adversário.

Com a articulação de uma outra frente política, Eduardo Campos busca o estabelecimento de um novo pacto social: “O que eu percebo é que é necessário que surja no país um novo pacto social, que é desejado, que não nega as coisas que foram construídas, que dialoga e que constrói um novo pacto político e que possa levar o Brasil ao crescimento com redistribuição de renda. O objetivo central é melhorar o país porque ele começou a piorar, e se nós não rompermos essa lógica, vamos assistir às conquistas de ontem serem destruídas no quotidiano desse ano e do próximo.”

A crítica de Eduardo Campos centra-se na redução das taxas de crescimento, decorrentes da falta de investimentos. “Nós tivemos um crescimento que vem muito do crédito, que fez do consumo o grande motor do crescimento, da melhoria da renda dos mais pobres. Nos oito anos de FHC, o crescimento do PIB ficou em torno dos 2%, nos oito anos do Lula, em torno de 4% e, agora, está a ficar abaixo dos 2%. Depois de um crescimento com inclusão, com a melhoria da qualidade de vida, agora há um travão do crescimento, porque não conseguimos alavancar os investimentos privados porque, por um momento, passou a sensação de que as regras se poderiam alterar e os investidores começaram a ter uma posição de maior precaução.”

Os analistas do governo começam a sentir a mudança de tom. Segundo eles, Eduardo Campos, resolveu deixar de lado seu jeitão de nordestino cordato, sempre disposto a aparar arestas políticas com uma boa conversa e mostra agora uma nova face, mais agressiva. Isso mesmo.

 

Acabou o refresco provindo de uma oposição sem projeto e titubeante. Agora já se pode ouvir uma voz firme na oposição e, pelo que vem adquirindo de robustez logo se fará ouvir o brado retumbante emitindo um sonoro NÃO ao que aí está e a brandir uma NOVA esperança de retomada do desenvolvimento.

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One comment on “AGORA A OPOSIÇÃO JÁ TEM VOZ FIRME

  1. Concordo com a tua avaliação, Fajardo. Não é á toa que o governo demonstra, já em março, total desespero para lidar com o fato novo, existir uma oposição que vai adquirindo cada vez mais consistência, os petistas da ala governista, fanáticos e acríticos que são partem para a agressão barata, à ofensa pessoal e até a ameaça dos mais exaltados e sem o menor conteúdo para debater, “Dilminha-é-a-melhor-por-que-é”, a insubordinação contra a arrogância amplia-se, e a “base aliada” está virando pó (não há aqui nenhuma referência à Minas Gerais).
    2014 promete muitas surpresas, rachas e aglutinação maior em torno de Eduardo Campos, não será aquilo que costumamos dizer em relação ao futebol, “um passeio”.
    Reacende uma grande esperança.

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