Deixe um comentário

Luciano Coutinho, os campeões nacionais e a LCA

Obs.: reproduzi junto com um comentário 

dom, 23/03/2014 – 11:57 Luis Nassif

Coutinho perde espaço no governo

Presidente do BNDES passa por momento de distanciamento do Palácio do Planalto

23 de março de 2014 | 2h 08
 
JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Porta-estandarte da estratégia de consolidação de campeões nacionais no governo Lula, o economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vive um momento de depressão de seu prestígio político. Há sete anos no cargo, próximo da presidente Dilma Rousseff desde os anos 80, quando deu a ela aulas de Economia na Unicamp, Coutinho foi afastado da órbita do Planalto.

Desde antes do carnaval, Coutinho vem tentando se reunir com o novo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. No último dia 13, esteve em Brasília, e se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No mesmo dia, pediu, pela segunda vez, um encontro com Mercadante, mas não conseguiu – o ministro acusou a agenda cheia, apesar de dividir a manhã entre despachos internos e uma cerimônia no próprio Planalto.

O presidente do BNDES tem fracassado, também, em obter o empréstimo de recursos do Tesouro relativo a 2014, para fazer frente aos contratos de crédito fechados com as empresas. O primeiro trimestre vai terminar e Coutinho ainda não sabe quanto terá à disposição. Pior: em fevereiro, o BNDES precisou transferir R$ 2 bilhões sob a forma de dividendos ao Tesouro para evitar um resultado pior das contas fiscais. O problema é inédito na gestão Coutinho, que sempre obteve do Tesouro e do governo o que precisava.

Coutinho falou ao telefone com o secretário do Tesouro, Arno Augustin, na quarta-feira, mas continuou sem indicações. A questão fiscal, deteriorada por manobras do Tesouro e pelas desonerações tributárias, tem atrapalhado especialmente o BNDES.

Derrocada. O distanciamento entre Coutinho e o Planalto começou em abril do ano passado. Ele foi avisado pela presidente Dilma, pouco antes da cerimônia que anunciou o Plano Inova Empresa, que seu braço direito no BNDES, o vice-presidente João Carlos Ferraz, seria substituído por Wagner Bittencourt, até então ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC). Coutinho, então, iniciou uma jornada de quase 20 dias em busca de um caminho que permitisse manter Ferraz com o poder que teve por seis anos.

A ideia inicial era tornar a estrutura do BNDES semelhante à do Banco do Brasil (BB) e da Caixa, que contam com vários vice-presidentes e, assim, manter Ferraz com o cargo. Dilma bloqueou o plano. Em seguida, Coutinho alterou pela primeira vez desde que o banco foi criado, em 1953, o estatuto da instituição, para criar uma sétima diretoria no banco e assim acomodar seu homem de confiança. No mês que vem, Ferraz completará um ano como diretor de planejamento, pesquisa e gestão de risco do BNDES.

Mais tarde, em julho, Coutinho passou por uma situação incômoda no Planalto. Em reuniões com Dilma, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, e técnicos da Casa Civil para definir as condições de financiamento para os leilões de ferrovia, ele foi avisado pela presidente que os juros seriam fixados em 1% ao ano, além da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que baliza os empréstimos do BNDES. O assunto não foi colocado em discussão. Procurado pelo Estado, Coutinho não aceitou conceder entrevista. Mas a assessoria do banco confirmou que o presidente do BNDES saiu derrotado da reunião.

Ao longo do encontro, Coutinho teve uma crise de hipertensão e precisou ir a outra sala para se recuperar. Dilma decidiu continuar a reunião. Segundo o BNDES, o mal-estar se deu por causa de uma substituição de remédios administrados.

Atuação. Na mesma época, em entrevista ao Estado, Coutinho informou que a política de “campeões nacionais”, movida por ele havia anos no banco, tinha acabado. A estratégia, cujo embasamento ideológico é seu doutorado na Unicamp, consiste em auxiliar, via crédito subsidiado e participação direta no capital, a formação de grandes grupos nacionais, que cresceriam além das fronteiras do País, servindo de fonte de dólares.

A ideia de apoiar a criação de grupos gigantescos em setores específicos sempre foi alvo da oposição à política econômica do governo, mesmo no PT. Durante o governo Lula, Coutinho diversas vezes buscou o então ministro da Justiça, Tarso Genro, para dirimir dúvidas envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Grandes grupos nas áreas de frigoríficos (Marfrig e JBS Friboi) e de telefonia (Oi) foram formados com apoio do banco.

As áreas de direito econômico, planejamento estratégico de grandes grupos e soluções financeiras associadas ao ciclo macroeconômico estiveram no foco de Coutinho desde os anos 90, quando, com quatro colegas, fundou a LCA Consultores, empresa que comandou até julho de 2007, quando assumiu o BNDES. A consultoria, considerada uma das melhores do País, cresceu bastante desde 2010. No ano passado, adquiriu sua principal rival, a MCM Consultores. Segundo fontes próximas a Coutinho, a LCA verá o retorno de seu fundador quando ele deixar o BNDES. 

  

imagem de Clever Mendes de Oliveira
Clever Mendes de Oliveira

João Villaverde pode ser bom jornalista, mas o texto foi fraco

seg, 24/03/2014 – 00:28

 

Luis Nassif,

O texto de João Villaverde “Coutinho perde espaço no governo” publicado no jornal O Estado de São Paulo veio a se  transformar neste post “Luciano Coutinho, os campeões nacionais e a LCA”de domingo, 23/03/2014 às 11:57, sem que ninguém o tenha sugerido. Enfim, é idéia sua dá o destaque ao texto de João Villaverde. E não bastasse ser dono do blog você tem boa justificativa em trazer o texto de João Villaverde.

O João Villaverde pelo que recordo pareceu-me ser bom jornalista. No resumo João Villaverde fala 1) da dificuldade de Luciano Coutinho para se reunir com Aloizio Mercadante; 2) da dificuldade do BNDES conseguir empréstimos de recursos do Tesouro; 3) do distanciamento de Dilma Rousseff em relação a Luciano Coutinho que se iniciou em abril do ano passado quando Luciano Coutinho teve que rebaixar o braço direito dele no BNDES João Carlos Ferraz de vice-presidente para diretor de planejamento, pesquisa e gestão de risco do BNDES; 4) de uma situação incômoda de Luciano Coutinho em reunião em julho de 2013 no Planalto para definir condições de financiamento para os leilões de ferrovias; 5) de entrevista de Luciano Coutinho no jornal O Estado de São Paulo na época da reunião anterior informando que a política de “campeões nacionais” teria chegado ao fim e 6) encerra o artigo dizendo que quando sair do BNDES Luciano Coutinho voltará para a LCA Consultores que ele fundou e que cresceu muito desde 2010, tendo em 2013 comprado a principal rival dela, a MCM.

Tenho que reconhecer que embora eu não veja nada de importante nos seis itens abordados por João Villaverde, ele diz muito mais sobre a relação de Luciano Coutinho e a presidenta Dilma Rousseff do que o parágrafo que você despejou junto ao post “A economia, vista da área econômica do governo” de quarta-feira, 29/01/2014 às 05:00. Em um parágrafo totalmente deslocado você diz que Luciano Coutinho não acompanhara a presidenta Dilma Rousseff na reunião em Davos, fechada, com 70 maiores empresários globais. O endereço do post “A economia, vista da área econômica do governo” é:

http://jornalggn.com.br/noticia/a-economia-vista-da-area-economica-do-go…

Em comentário que enviei quarta-feira, 29/01/2014 às 12:47, para você eu fiz uma crítica ao parágrafo mal ajambrado que você colocou no post “A economia, vista da área econômica do governo” para fazer mexericos sobre Luciano Coutinho. Acho que o texto de João Villaverde faz parte da crítica ao BNDES para atingir a Dilma Rousseff. E ficou bem a contento ao trazer a questão da política dos “campeões nacionais” que recebe críticas à esquerda e à direita pelo capitalista libertário e pelo energúmeno virtuoso puro ou por hipocrisia. Bem a contento por que diz que ela já foi abandonada, mas sem antes ter informado que “Grandes grupos nas áreas de frigoríficos (Marfrig e JBS Friboi) e de telefonia (Oi) foram formados com apoio do banco”. Enfim, a contento porque pode-se dizer que a política foi abandonada porque não era boa, e pode-se dizer que enquanto por incompetência não se percebeu que ela não era boa houve muito gasto com uma política ruim. E também a contento porque exposta no exato momento que esteve no Brasil Paul Krugman, o crítico com maior titulação a esta política. Com a crítica de Paul Krugman pode-se dizer que há a crítica a direita e à esquerda e também a crítica da teoria econômica exposta por uma das suas mais altas autoridades.

E embora em política seja possível sacrificar o seu melhor amigo para salvar o próprio pescoço e, portanto, eu tenho como bem plausível que Dilma Rousseff venha a demitir Luciano Coutinho para tirar algum dividendo político desta manobra, se a demissão acontecesse eu não veria méritos nem em João Villaverde pelo texto em que ele praticamente sela a sorte de Luciano Coutinho, nem na presidenta Dilma Rousseff sob o aspecto administrativo.

Demissão, entretanto, que sob o aspecto político é muito útil para ela obter o voto de parte da esquerda que abomina a formação de grandes grupos empresariais, o voto de parte da direita capitalista libertária que idealiza o modelo capitalista como formado por infinitas pequenas empresas de melhor qualidade, pois seriam sobreviventes de um sistema de concorrência perfeita que expulsa não os menores mas os piores e o voto de parte da direita energúmena de virtude autêntica ou de virtude hipócrita (Embora neste caso não seria energúmena) que acredita que a corrupção é o cancro que atravanca o progresso do Brasil.

Enfim não concordo com a crítica que Paul Krugman fez à política de “campeões nacionais” nem dou importância ao suposto isolacionismo de Luciano Coutinho no governo de Dilma Rousseff. Isolacionismo que era mais ou apenas suposição na época do seu post “A economia, vista da área econômica do governo” de dois meses atrás e que hoje pelo texto de João Villaverde apesar de se constituírem mais de banalidades dá uma configuração de maior probabilidade.

Pensei em transcrever aqui o meu comentário com crítica a você lá no seu post “A economia, vista da área econômica do governo”, mas já deixei o link e penso que só isto é o bastante. Como em meu comentário eu não fiz nenhuma referência ao desmetido de Luciano Coutinho vale à pena deixar o endereço do post “Luciano Coutinho em Davos” de quarta-feira, 29/01/2014 às 14:14, aqui no seu blog em que há o desmentido do BNDES a suposta ausência de Luciano Coutinho na reunião de Davos, com os 70 mega empresários. O endereço do post “Luciano Coutinho em Davos”é:

http://jornalggn.com.br/noticia/luciano-coutinho-em-davos

Quanto a crítica de Paul Krugman à política de campeões nacionais, eu mencionaria o post “Paul Krugman e o clima de guerra entre economistas” de sexta-feira, 22/03/2013 às 08:30, aqui no seu blog em que o comentarista Marco Antônio Nogueira transcreve entrevista de Paul Krugman à revista Exame. O endereço ao post “Paul Krugman e o clima de guerra entre economistas” é:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/paul-krugman-e-o-clima-de-guerr…

A crítica de Paul Krugman é ligeira e o valor dela reside quase exclusivamente na autoridade de onde ela emana. Avalio como mais fundamentado o artigo do professor David Kupfer intitulado“Campeões nacionais e multinacionais” e que foi publicado no jornal Valor Econômico de segunda-feira, 13/05/2013, trazendo uma explanação sobre a política de campeões nacionais. O endereço do artigo “Campeões nacionais e multinacionais” no site do jornal Valor Econômico se bem que só para assinantes é:

http://www.valor.com.br/opiniao/3120336/campeoes-nacionais-e-multinacionais.

Tireis essas indicações de comentário que enviei quinta-feira, 06/06/2013 às 23:46, para João Paulo Rodrigues em razão de comentário que ele enviara quarta-feira 05/06/2013 às 13:17, junto ao post“GOL contra” de quarta-feira, 05/06/2013, no blog de Alexandre Schwartsman, A Mão Visível. O endereço do post “GOL contra” é:

http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/06/gol-contra.html

E embora eu não seja economista, assim como eu critico você aqui no seu blog, eu aproveitei para criticar Alexandre Schwartsman e a idéia de Paul Krugman sobre a política dos “campeões nacionais” no meu comentário para o post “GOL contra”. Não é o argumento de autoridade, mas eu me fio mais nele.

Clever Mendes de Oliveira

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: