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O POVO QUER MUDANÇA  

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A dar crédito às pesquisas, o povo quer mudança. Segundo a última pesquisa da Folha de São Paulo,  72% desejam que o próximo presidente adote ações diferentes das de Dilma. Repetindo: sete em cada dez brasileiros querem algo novo no Planalto a partir de 2015. Os dados publicados não apontam quê tipo de mudanças querem. Ou seja, o mais importante de tudo a pesquisa não revela.

Quem pode promover as mudanças? A pesquisa tenta responder com alguns nomes de presidenciáveis colocados como alternativas para os pesquisados responderem. Trata-se de um procedimento que não inclui uma análise da conjuntura em que contemplasse as mudanças desejadas com as forças políticas capazes de implementá-las. As forças que elegeram Lula engendravam uma pauta de mudanças que, afinal, somente teve cumprida uma pequena de sua parte. Nem Lula nem Dilma,  menos ainda Dilma, foram capazes de mexer profundamente nas estruturas do capitalismo dependente ainda dominante no Brasil.

Lula com algumas medidas substituidoras de importação, tais como a decisão de fabricar as plataformas para a Petrobras aqui no país ao invés de importar, parecia retomar o caminho de desenvolvimento que historicamente tem conduzido o Brasil em direção à  emancipação econômica.   Porém, esse esforço não foi suficiente diante de outras políticas que contrariam o caminho do desenvolvimento.  Os juros e o Câmbio. O combate aos juros altos não persistiu com a energia necessária e, com Dilma, os juros voltaram aos patamares mais altos do planeta. Com os juros naquelas alturas o governo tem que deslocar partes maiores do seu orçamento para o pagamento de suas dívidas. Assim, segundo a política adotada, tem que aumentar o superávit primário e isso implica em reduzir o orçamento que poderia ser destinado ao custeio de políticas públicas e para o investimento. Quanto ao câmbio, se o câmbio está sobrevalorizado, isto é, se o real está artificialmente valorizado, as importações ficam mais atraentes para os consumidores do que os produtos nacionais. Assim, ao invés de alimentarmos o desenvolvimento da nossa indústria, alimentamos as indústrias dos países dos quais nós estamos importando. E é por isso que, dentre outras coisas, o Brasil vem passando por um processo de desindustrialização. Pois bem, se fosse dado ao povo brasileiro a conhecer tais coisas, não seria essa uma mudança que este povo desejaria. Ou seja, o povo brasileiro não desejaria que a política econômica fosse conduzida de modo a termos juros decentes e um câmbio justo para podermos retomar nosso crescimento econômico? Eu creio que sim. Por certo o povo quer o crescimento econômico, mas não sabe identificar como fazê-lo.

Voltando à pesquisa. Dos presidenciáveis que nomes  o povo os identifica com mudanças:

Lula, responderam 32% dos entrevistados. Marina, 17%. Dilma, 16%. Aécio Neves, 13%. Eduardo Campos, 7%.  Como observa Josias de  Souza,

“Suprema ironia: após vender Dilma em 2010 como a melhor continuidade de si mesmo, Lula tornou-se o não-candidato favorito a protagonista da mudança. É como se um pedaço do eleitorado o intimasse a corrigir o próprio erro.”

 

Cá com meus botões penso que, de todos os nomes citados,  Lula foi quem mais nitidamente se apresentou  na história recente, como agente  de mudança, contra a elite, e apesar de tudo restam resquícios desse Lula na memória popular.

E há algo ainda mais importante que é o quanto os presidenciáveis são conhecidos pelo eleitor: 42% dos eleitores desconhecem Campos. Ignoram Aécio 25%. Apenas 1% não sabe quem é Dilma.

Ainda segundo Josias de Souza:

 

“Não é difícil deduzir o que seria das pretensões de Dilma se o padrinho dela dissesse à turma do “volta Lula” um singelo “eu topo”. A recandidatura de Dilma viraria poeira instantaneamente. Desde o final de fevereiro, Dilma caiu seis pontos no Datafolha. De 44% foi a 38%. Aécio Neves manteve-se no mesmo patamar: 16%. Eduardo Campos oscilou um ponto para o alto: de 9% para 10%. No cenário em que seu nome substitui o de Dilma, Lula belisca 52%. Aécio, 16%. Campos, 11%.”

 

Dos candidatos atuais somente Eduardo Campos fala em retomada do desenvolvimento, ainda que de forma genérica. Dilma, apesar dos dados da pesquisa não diz o que fará, ficando a impressão de que será o mais do mesmo. Aécio mais parece saudoso do período do FHC, uma má lembrança para o eleitorado.

 

O embate eleitoral quase sempre traz novidade. Aquele que decifrar quais as mudanças que o povo quer e com que meios dever-se-á conseguí-las e conseguir comunicar ao povo, terá grande chance de credenciar-se.

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