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NEM APOIO DE LULA ESTÁ CONSEGUINDO CONTER A QUEDA DA SENHORA ROUSSEFF

 

 

HORA DO POVO

 

Problema da reeleição de Dilma é que seu governo é muito ruim 

Por mais que Lula se esforce, ele não pode fazer milagres; em 4 anos ela torrou tudo o que seu antecessor fez pelo país 

Nosso amigo, o presidente Lula, é uma pessoa muito dedicada. Mas há certas coisas que nem reza brava de São Cipriano ou trabalho do caboclo Sete Flechas é capaz de fazer. Sobretudo quando, durante quatro anos (ou três e meio, que seja) não se fez outra coisa senão desfazer tudo o que Lula fez, para voltar ao que havia de pior no tempo dos tucanos.

Vejamos a tabela da página ao lado: no ano passado, o crescimento de nosso país foi o centésimo décimo nono (119º) do mundo. Portanto, com crescimento maior que o nosso, houve 118 países. O medíocre crescimento a que o governo Dilma nos relegou (2,3%) esteve abaixo da média dos países “emergentes ou em desenvolvimento” (4,7%); abaixo da média dos países emergentes da Ásia (6,5%); abaixo da média dos países africanos ao sul do Saara (4,9%), abaixo da média mundial (3%) e abaixo de 118 países, dos 189 da lista de membros do FMI.

[Todos os dados estão em IMF, World Economic Outlook Database, April 2014 Edition, all countries, “Gross domestic product, constant prices, percent change”.]

TAXAS

Ao leitor bem informado ou que simplesmente consegue sentir os problemas da realidade – em suma, aquele que não é tapado – não parecerá surpreendente que, em 2010, último ano do governo Lula, nosso crescimento (7,5%) tenha sido o 36º do mundo.

Só havia, portanto, 35 países com crescimento maior do que o nosso. Reparemos que, nesse ano de 2010, nosso crescimento de 7,5% foi maior que a média mundial (5,2%), foi igual à média dos países emergentes e em desenvolvimento (7,5%); foi acimada mediana (4,5%), isto é, acima do ponto central entre as taxas de crescimento desses países; foi acima da média dos países africanos ao sul do Saara (5,6%); só ficando abaixo da média de crescimento das “economias emergentes da Ásia” (9,7%).

No ano seguinte, 2011, o crescimento do país caiu para 119º lugar no mundo, a mesma colocação de 2013. Ou seja, caímos 83 lugares em um único ano. Depois, caímos ainda mais: em 2012, fomos para o 139º lugar. Agora, voltamos ao 119º lugar. Esperemos que não apareça algum basbaque para dizer que foi um grande avanço passar de 139º para, outra vez, 119º em crescimento, depois de estar em 36º no governo Lula (cf. IMF, World Economic Outlook, April 2014, págs. 180 a 186).

Nada disso caiu do céu, como os dois anjos caíram em Sodoma, ou é uma fatalidade. O atraso e o retrocesso não são, jamais, desígnio de alguma divindade. São o resultado de uma política econômica que nos arrastou para a pior média de crescimento – exceto o malfadado governo Collor – de toda a história da República. Pior que a do governo Fernando Henrique, o que pareceria inacreditável, se não fosse um fato.

Estamos falando, como é óbvio, de um dos maiores países do mundo, prenhe de recursos naturais, que já desenvolveu – ou desenvolvera – uma economia industrial bastante grande e complexa, com um operariado especialmente competente. Em suma, estamos falando do Brasil.

Daí, a sensação de desconforto, no país, com um governo que não consegue pensar o Brasil senão como colônia – e pequena, como se fôssemos as Ilhas Marshall. Os números apenas expressam o desastre.

Na segunda-feira, ao assinar a entrega do aeroporto de Confins para a Flughafen Munchen e a Flughafen Zürich AG, a presidente Dilma declarou que “vamos ter de dar um salto de qualidade na gestão. Para isso essas concessões são fundamentais. As concessões vão trazer esse saber”.

Em sua opinião, portanto, não temos capacidade de gerir nem ao menos um aeroporto – que, por sinal, fomos capazes de construir. Temos de entregar um aeroporto por 30 anos – aliás, vários aeroportos, senão todos – para aprender “esse saber” de como fazer a sua gestão. Devemos ser, portanto, na opinião da presidente, um povo de retardados.

Deve ser pela mesma razão que, através do Pronatec, o governo enfia dinheiro em escolas privadas para que ensinem aos jovens o complexo ofício de Disc Jockey (DJ) – e outros “saberes” de igual importância. Se o leitor pensa que estamos brincando, por favor, consulte o site do programa e veja a lista dos cursos. É assim que o governo está preparando o pessoal para a “gestão” – a gestão de bolachas de CD e músicas que dispensam gente para ser compostas, por exemplo.

Portanto, quem entende de “gestão” são os americanos de Wall Street ou assemelhados. Realmente, se for para roubar, eles são muito bons nesse tipo de gestão. E depois a presidente ainda vem falar de um suposto “complexo de vira-lata” dos brasileiros… Para quem não consegue distinguir Nelson Rodrigues de Machado de Assis, ou Henry Adams de Mark Twain, deve ser um pensamento muito profundo…

Mas esse tipo de ignorância é uma consequência da ideologia. Infelizmente, esse é o problema desse governo: nenhuma confiança no país, nenhuma consideração com o povo, exceto a de incensar alguns subempregos com péssimos salários. Se depender da atual política, em breve seremos um país de manicures, depiladores, cabeleireiros e disc jockeis – evidentemente, não são esses profissionais que acham que o Brasil deve ser desse jeito.

Há, nesse governo, um tremendo desprezo pelo que é nacional. O professor Lauro de Oliveira Lima, gigante do Ceará, dizia que há uma elite que não se conforma em ter um povo formado por negros, índios e brancos que aqui chegaram com a mão na frente e a outra atrás. No entanto, essa turma só conseguiu se educar devido a esse povo. Aliás, só conseguiu viver num país porque esse povo lhe deu um país.

É um fato que é mais fácil o presidente do Goldman Sachs ser recebido pela presidente Dilma, como aconteceu na quarta-feira, do que as 23 entidades de empresários nacionais que pediram uma audiência a ela desde novembro, e ainda estão esperando… Note-se que essas entidades reúnem os donos de empresas que são responsáveis por 54% do faturamento e 51% da geração de emprego na indústria dentro do país.

ILUSÕES

Mas… saiu da audiência o presidente do Goldman Sachs dizendo que ele e Dilma concordaram em que “o investimento em pequenas e médias empresas é a forma de fazer a economia global crescer, e também é assim que o Brasil vai crescer”. Como se o Goldman Sachs alguma vez houvesse se interessado por algo além de especular, roubar o Tesouro através de juros e cometer fraudes financeiras…

Nada disso é sério. Tanto assim que são justamente as empresas médias e pequenas que a presidente se recusa a receber há cinco meses.

Nos últimos dias apareceram algumas teorias interessantes. Uma delas é que quando o povo souber que Lula está apoiando Dilma, a eleição estará ganha, pois, segundo o Datafolha tentou esconder, a pesquisa comprovou que Lula é o grande eleitor do país – a figura política mais influente para definir o voto de uma parcela do eleitorado.

Parece até que ninguém sabia. Vai ser difícil encontrar quem não saiba que Lula está apoiando Dilma. No entanto, ela continua caindo – e por uma razão simples: porque seu governo é muito ruim.

Portanto, as exigências – assim parecem certas esperanças ou ilusões – de que Lula faça milagre, são muito injustas para com o presidente. Ele já está fazendo até demais pelo que não tem obrigação: defender uma política que é contra a política que implementou quando presidente. Não é justo pedir mais sacrifícios a ele.

CARLOS LOPES

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