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Governo Dilma envia policiais para workshop da Blackwater nos EUA

 

Corpo docente é formado pelos mercenários da desclassificada empresa, uma invenção da CIA

Algumas pessoas de boa fé manifestaram a sua perplexidade com a notícia de que a Blackwater (hoje Academi), maior empresa de mercenários e terceirização de assassinatos e tortura dos EUA, está treinando policiais brasileiros, em um convênio ou contrato entre a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE) e a embaixada dos EUA – mais especificamente, entre a SESGE e o Regional Security Office (RSO), que vem a ser a sucursal, dentro da embaixada e dos consulados norte-americanos, da agência “de segurança” do Departamento de Estado, o Diplomatic Security Service (DSS).

É compreensível a perplexidade, apesar dela demonstrar que essas pessoas de boa fé ainda não perceberam no que se tornou o governo Dilma. No entanto, depois da entrega de parte do maior campo de petróleo do mundo a duas petroleiras multinacionais, sem a menor necessidade, exceto a que provém da subserviência, o caso do treinamento de policiais nos EUA – e logo por quais “treinadores” – é esclarecedor sobre o rumo antinacional, antidemocrático e antipopular tomado pelo governo.

TREINAMENTO

Diz a SESGE, inventada em 2011 e subordinada ao ministro da Justiça, que os policiais foram fazer treinamento “anti-terrorista”. Disse, ao jornal “Folha de S. Paulo”, um dos participantes: “O foco do programa é passar as experiências práticas vividas pelas tropas americanas no combate ao terrorismo. Por isso, fomos enviados, pois somos a tropa especializada que será empregada durante uma ameaça de ataque terrorista em São Paulo“.

“Ameaça de ataque terrorista em São Paulo”? Sem desdouro do policial que apenas repetiu o que ouviu, parece invenção de nazista – com a diferença de que os nazistas realmente incendiaram o Reichstag e quase explodiram o gasômetro do Rio durante a ditadura, o que foi frustrado por um bravo oficial da Aeronáutica, que se recusou a obedecer a uma ordem criminosa, arcando com penosas consequências.

Já esse “ataque terrorista em São Paulo” é pura ficção para que alguns ingênuos – e outros nem tanto – considerem que o Brasil está na mesma situação que os EUA. Mas nós não invadimos o Iraque nem o Afeganistão, não bombardeamos a Líbia, não torturamos milhares de pessoas inocentes, nem sustentamos os crimes de Israel contra milhões de palestinos, nem instalamos campos de concentração que vão de Guantánamo até Bagram, passando pelos campos e prisões do Iraque, onde há 11 anos inocentes são mantidos sob condições indignas, desumanas, repugnantes.

Além disso, desde quando a chamada “guerra ao terror” dos EUA tem o objetivo de combater o terrorismo? Esse slogan, desde o início, serve para tudo – mais precisamente, para tudo o que não presta. Desde rasgar a Constituição dos EUA e instalar um Estado policial naquele país até bombardear e invadir outros países, chacinar governantes que jamais tiveram relação alguma com terrorismo – ou assassinar, com drones, líderes populares que somente são culpados de lutar pela independência de seus países e pelo progresso de seus povos – levando sofrimentos indizíveis a populações inteiras do planeta.

A “guerra ao terror” é, portanto, o rótulo que o governo dos EUA deu ao seu terrorismo como política de Estado. Sinteticamente, é o nome do terrorismo de Estado da casta financeira dos EUA.

Não se trata de uma revelação. Todo mundo sabe disso.

No entanto, disse a presidente Dilma, ao vistoriar os novos “robôs anti-bomba” que o governo comprou para a SESGE, que “o pior que pode acontecer em um país é essa sensação de insegurança“.

A sensação de insegurança que existe no país não é devida ao terrorismo, mas ao governo da presidente, com sua política anti-crescimento, anti-indústria, e de total submissão aos monopólios multinacionais, a começar pelos bancos estrangeiros. Portanto, é pouco provável que os robôs anti-bombas que o governo comprou resolvam o problema.

Piorar essa política traz menos expectativas ainda – pelo menos, expectativas positivas – em relação ao governo. Submeter policiais brasileiros ao amestramento da Blackwater para servir à política norte-americana de falso combate ao terrorismo, é alinhar-se completamente por baixo do tacão mais reacionário, mais imperialista, mais criminoso e mais decadente dos tempos atuais. Não é preciso muita argúcia para perceber que isso é colaboração com o crime e servilismo diante dele.

Porém, o atual governo chegou a esse patamar de subserviência. Ou será que a presidente Dilma e o ministro Cardozo não sabem o que é a Blackwater? Pelo menos deveriam se lembrar do resultado dos treinamentos de brasileiros pelos americanos na década de 70, em insituições (Deus!) como a Escola das Américas, no canal do Panamá.

Não é por acaso que os professores designados para os nossos policiais foram os degenerados da Blackwater. Certamente, não é em atividades policiais que essa escória é especializada, ou pode ensinar alguma coisa. Aliás, qual foi a “ação terrorista” que eles combateram, preveniram, descobriram ou elucidaram? Sua especialidade é o assassinato e a tortura – como no Iraque, Afeganistão e Somália.

Desde quando nós precisamos desse tipo de “ajuda” e treinamento?

Como o jornalista norte-americano Adam Ciralsky demonstrou, a Blackwater é uma invenção da CIA para trapacear limites legais e desviar a atenção de si própria. Em suma, é um braço do programa de assassinatos da CIA e somente sobrevive com o dinheiro que esta última lhe repassa (v. HP 17/09/2010; a reportagem original de Ciralsky, por nós traduzida, com uma entrevista do fundador oficial da Blackwater, Erik Prince, saiu em “Vanity Fair”, janeiro de 2010, com o titulo: “Tycoon, Contractor, Soldier, Spy“).

FOLHA

Exceto esse ramo de assassinatos a mando da CIA, a Blackwater/Academi jamais foi competente em nada. Até mesmo abandonar um exército de mercenários no meio do deserto da Somália está em sua folha corrida (depois que guerrilheiros somalis executaram um instrutor sul-africano da Blackwater, os demais instrutores fugiram do país, “deixando os recrutas encalhados numa base no deserto” – v. Jason Ditz, “Blackwater Founder’s Mercenary Army Abandoned in Somali Desert“, Antiwar.com, October 05, 2012).

Considerando os acontecimentos de Fallujah em 2004, quando a resistência iraquiana, e, logo, uma verdadeira multidão, executou os mercenários da Blackwater que entraram na cidade, tratando-os, em seguida, como Judas em sábado de Aleluia, trata-se de criminosos sanguinários, mas estúpidos, sem muita noção do perigo, embora com muita pôse (v. HP 06/04/2004).

Em seu site, a SESGE propaga que o Brasil terá um “Centro de Cooperação Policial Internacional” durante a Copa e as Olimpíadas, formado por policiais dos vários países que participarão dos eventos. Como se as inúmeras agências policiais ou de espionagem ou de terorismo dos EUA pudessem estar, dentro do Brasil, em pé de igualdade com a polícia de Kiribati ou de São Tomé e Príncipe… É óbvio que o objetivo desse “Centro de Cooperação Policial Internacional” não é introduzir no país esses últimos.

C.L.

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