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Dom Tomás: o bispo que atuou em defesa de perseguidos políticos

 

Por Jair Fonseca

A morte de dom Tomás Balduíno, aos 91 anos. Um dos mais corajosos sacerdotes da Igreja Católica no Brasil, um dos principais fundadores da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário. Foi muito perseguido e ameaçado pela repressão da ditadura e pelos latifundiários.

Aqui, um pouco de sua história: Dom Tomás nasceu em Posse (GO) em 1922. Ingressou na Ordem Dominicana em São Paulo (SP) e recebeu a ordenação presbiteral em Saint Maximin, na França, em 1948. Antes de ser bispo, foi superior da missão dominicana em Conceição do Araguaia (PA) de 1956 a 1964 e prelado administrador desta prelazia, entre 1966 e 1967, sendo também bispo coadjutor. Nesta região, atuou na defesa dos povos indígenas e das famílias sertanejas.

 
Fez mestrado em Antropologia e Linguística, na Universidade de Brasília, com a finalidade de desenvolver um melhor trabalho junto aos índios. Aprendeu a língua dos povos Xicrin, BAcajá e Kayapó.
 
Atuou na defesa de pessoas perseguidas pela ditadura, durante o regime militar no Brasil. Em junho de 2013, esteve presente no Seminário Internacional Memória e Compromisso, promovido pela Comissão Brasileira Justiça e Paz, em Brasília, com o objetivo de lembrar o papel dos cristãos no processo de anistia política e de redemocratização do país durante o período de 1964 a 1988. 
 
Em 1967, foi nomeado bispo da diocese de Goiás, onde permaneceu até 1999. Neste período, dom Tomás colaborou na fundação do Conselho Indigenista Missionário e da Comissão Pastoral da Terra.
 
Em 2006, recebeu o Prêmio de Direitos do Homem Dr. João Madeira Cardoso, pela Fundação Mariana Seixas, de Portugal, e também o título de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, pelo seu trabalho em favor da cidadania e direitos humanos.
 
Em 2008, recebeu, nos Estados Unidos, o prêmio Reflections of Hope, da Oklahoma City National Memorial Foudation, por sua atuação no combate à miséria. 
 
O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, comunicou neste sábado (3), durante a missa dos bispos eméritos, no Santuário Nacional de Aparecida (SP), sobre o falecimento do bispo emérito da Cidade de Goiás (GO), dom Tomás Belduíno, no final da noite desta sexta-feira, 2 de maio, aos 91 anos de idade. Ele estava internado há vários dias em tratamento por causa de complicações cardíacas e de um câncer. O corpo do bispo está sendo velado na Igreja São Judas Tadeu, dos Frades Dominicanos, em Goiânia. O sepultamento, em horário ainda não confirmado, será realizado na Catedral da Cidade de Goiás, em dia e horário ainda não divulgados.
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