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Estadao aponta manipulação na pesquisa do Instituto Sensus

 

Por Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

O instituto Sensus deve divulgar hoje pesquisa eleitoral feita com metodologia que distorce resultados e beneficia o pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto, Aécio Neves. Em vez de entregar aos entrevistados um disco com os nomes dos candidatos à Presidência dispostos em forma circular, o instituto usou uma lista em ordem alfabética – com Aécio Neves na primeira posição.

 
O disco é usado justamente para evitar que os entrevistados sejam induzidos ao responder, já que, em uma lista, o nome com maior destaque – o primeiro – tende a ser mais citado.
 
O próprio Sensus sempre utilizou discos em seus levantamentos (veja quadro). O Estado entrou em contato ontem com Ricardo Guedes, diretor do instituto, e o questionou sobre detalhes da pesquisa.
 
Primeiro, Guedes afirmou que o levantamento decorre de uma “parceria” entre o Sensus e a revista IstoÉ, que publicará os números. No registro da pesquisa feito na Justiça Eleitoral, é o próprio Sensus que aparece como pagante. O registro foi feito no dia 28 de abril, três dias após o término das entrevistas – o que não é usual.
 
Quando o Estado perguntou sobre a adoção da lista em ordem alfabética em vez do disco, Guedes afirmou que estava em uma reunião e que não se manifestaria antes da publicação dos resultados.
 
Os diretores dos institutos Ibope e Datafolha, respectivamente Márcia Cavallari e Mauro Paulino, não quiseram comentar o caso específico do Sensus, mas explicaram por que seus institutos utilizam o formato do disco. “É para evitar o efeito de ordem, para que os entrevistados não optem sistematicamente pelo primeiro ou pelo último nome da lista”, disse a diretora do Ibope.
 
“Usamos o cartão circular porque é a forma mais neutra de se apresentar os nomes”, afirmou Paulino. “Assim, não há probabilidade maior de o entrevistado ver o nome de um candidato em primeiro lugar”, acrescentou o diretor do Datafolha.
 
Governo. O instituto Sensus também fez perguntas sobre a avaliação do governo Dilma Rousseff. Antes, porém, interrogou os entrevistados sobre perda do poder de compra de “alimentos e outros produtos” desde o ano passado.
 
“Uma pergunta sobre conjuntura política ou econômica colocada antes da avaliação de governo também pode induzir a resposta”, disse Paulino. “Isso faz com que o entrevistado pense primeiro em problemas relacionados ao governo antes de se manifestar sobre a avaliação”, afirmou.
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