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NÃO LEIA. CASO VENHA FAZÊ-LO PASSARÁ VERGONHA PELA DILMA

HORA DO POVO

 

Dilma passa a conta dos serviços públicos ruins para antecessores

Presidenta não assume responsabilidade pela drástica queda 
dos investimentos públicos orçamentários na sua gestão

Disse a presidente Dilma, em jantar com algumas jornalistas, que existe um “mau humor” no Brasil, mas “nunca vi campanha eleitoral sem mau humor“.

Não sabemos de quantas campanhas eleitorais ela participou, não devem ter sido muitas, mas a única pessoa com mau humor, na atual, é ela. Quanto a nós, achamos muito importante a sua conclusão de que “os bodes são

importantíssimos” e que os homens “não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet“.

Só faltou citar que Pedro Álvares Cabral também era europeu. Fora isso, trata-se de um pensamento filosoficamente perfeito. Não nos divertíamos tanto desde que aquela luz do intelecto, o segundo presidente da ditadura, Costa e Silva, declarou que “o poder é como um salame, toda vez que você o usa bem, corta só uma fatia, quando o usa mal, corta duas, mas se não o usa, cortam-se três e, em qualquer caso, ele fica sempre menor”.

Mas, diz a presidente Dilma, “tem uma coisa que explica o mau humor, que é a comparação entre a taxa de crescimento de bens e de serviços“. E repetiu a explicação para o suposto mau humor que vê nos outros, mas não em si mesma: “quem me critica, esqueceu. Tem memória curta porque estoque de bens é de agora e de serviços é acúmulo do passado“.

PROBLEMA

Primeiro, não é verdade. O “estoque de bens” dos brasileiros há muito que teve seu crescimento estancado – e o fato das retiradas de dinheiro das cadernetas de poupança superarem os depósitos em abril, é suficiente para demonstrar a tensão em que estão vivendo as famílias. Com um endividamento familiar acima de 60%, não é difícil perceber o problema (cf. CNC, “O Perfil do Endividamento das famílias brasileiras em 2013“).

Segundo, não é verdade. O problema dos serviços públicos não é a falta de investimentos no passado, até porque a única forma de remediar os problemas do investimento no passado é através dos investimentos no presente. Porém, o que estamos vivendo é a redução, o corte, dos investimentos no presente. Os investimentos acumulados do passado, bem ou mal, existem. Mas o que as pessoas estão sentindo, e vendo, é, precisamente, a destruição deste acúmulo do passado.

Terceiro, não é verdade. Dilma não deveria falar desse jeito do presidente Lula – pois, ao acusar seus antecessores pelos investimentos que não realizou para melhorar os serviços públicos, é evidente em quem, consciente ou inconscientemente, ela está tentando descarregar a responsabilidade, uma responsabilidade que é sua, e de mais ninguém.

Porém, Lula não é seu pai, figura em quem algumas moças mal resolvidas costumam depositar alguma agressividade por culpas que não existem ou foram superdimensionadas pelas artes do id, ego e superego.

Apesar disso, essa fuga à responsabilidade assume já formas bizarras, o que explica a frase de Dilma, na terça-feira, durante a assinatura de alguns contratos do PAC: “Eu tenho certeza que o mundo brasileiro daqui a três anos será melhor que o de hoje, porque hoje eu já estou sofrendo, ou melhor, me beneficiando das decisões tomadas no período Lula“.

Mas por que ela estaria “sofrendo” com as decisões tomadas no período Lula? Já dizia Confúcio, para aquele sujeito do segundo andar que lhe cuspiu na cabeça: “porque fazes isso a mim, que nunca tentei te fazer bem?”.

Durante o governo do presidente Lula, os investimentos públicos orçamentários aumentaram +148,58% (2003 a 2010) e +98,71% no segundo mandato.

No governo Dilma, esses investimentos caíram -33,73% no primeiro ano (2011); -19,58% no segundo (2012) e -33,02% no terceiro ano (2013), em relação ao último ano do governo Lula (2010).

PIOR

A evolução dos investimentos públicos no governo Dilma conseguiu o prodígio de ser inferior até à do governo Fernando Henrique, que foi um dos piores resultados da História do Brasil: entre 1995 e 2002, os investimentos orçamentários subiram apenas 7,9%.

Antes, no governo Sarney, eles aumentaram +53,62%, e, em dois anos do governo Itamar, +39%.

Todos esses dados estão no relatório do Tesouro Nacional, “Despesa da União por Grupo de Natureza 1980-2014” – inclusive, as quantias já estão atualizadas, não demandando cálculos extras. É verdade que, a julgar por sua gestão no Conselho da Petrobrás, a presidente não costuma ler relatórios.

Quanto aos investimentos das estatais, em 2014 eles foram cortados em 14% mais a inflação.

No governo Lula, a verba de investimento das estatais aumentou +364% (cf. MPOG/DEST, “Orçamento de Investimento das Estatais 2000-2014“).

Disse o ministro da Fazenda da presidente Dilma, há poucos dias:

Já fizemos um corte de R$ 44 bilhões no Orçamento e nada impede que, se for necessário, façamos algum corte adicional para que o [superávit] fiscal seja cumprido na íntegra. (…) Reduzimos inclusive R$ 7 bilhões nos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Também reduzimos transferências para estados e municípios. (…) Há também o auxílio-doença, que subiu muito, e chegou a R$ 17 bilhões. Estamos estudando como fazer para reduzir essa despesa“.

Todos esses cortes foram e são para aumentar a parcela dos bancos no Orçamento, no dinheiro público. Nos últimos 12 meses, o governo federal obrigou o conjunto do setor público a transferir R$ 245 bilhões aos bancos sob a forma de juros, o que é 56% da arrecadação federal de impostos prevista para 2014.

Há, realmente, não um mau humor, mas um grande mal estar no país, causado por um governo que traiu os compromissos que assumiu com o povo na campanha eleitoral, e não assume sua responsabilidade.

TEORIAS

Um governo que mente sistematicamente, nos assuntos mais comezinhos, e, através de sua figura de proa, é capaz de inventar as teorias mais escalafobéticas para justificar o injustificável – mas, geralmente, apenas para evadir-se pela janela porque não consegue sair pela porta da frente.

Mas, esperemos. Dentro em breve, a presidenta poderá identificar no poder o salame do Costa e Silva. Parece que no Pronatec há bons cursos para ensinar o leigo a cortar um salame…

CARLOS LOPES

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