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AS CONTRAÇÕES DO PARTO DA NOVA SOCIEDADE

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Por Claudio Fajardo

 As transformações no Brasil têm promovido um grande contingente de pessoas aos padrões mínimos de renda e consumo. Alguns governistas  enchem a boca para falar no surgimento de “uma nova classe média”, outros analistas, mesmo entre governistas, falam em novos contingentes de trabalhadores. É curioso que governistas do Partido dos Trabalhadores se regozijem em ter promovido pobres a “classe média”, tendo prurido em usar o conceito “trabalhador”.

De qualquer modo o que não se pode negar é que houve uma transformação social, na estrutura de classes da sociedade, quer em termos de renda, de relações sociais, prestígio, possibilidades educacionais e… participação política. Esta última provocando surpresa entre os analistas, governistas e oposicionistas. As jornadas de junho de 2013 puseram uma massa em movimento de modo surpreendente.

A capacidade ou incapacidade dos partidos existentes em absorver essas massas e suas reivindicações pode desenhar o novo quadro institucional brasileiro. Até agora os partidos têm agido segundo seus velhos métodos de recrutamento e enquadramento, não têm, portanto, conseguido incorporar essas massas emergentes.

 

De início, até os antigos movimentos e organizações sociais pareciam “velhos” e inadequados para expressar os sentimentos dessa referida massa. No decorrer do tempo, no entanto, os grandes contingentes foram cedendo e em seu lugar parece ter persistido apenas seus espectros. A violência, da polícia e dos black-blocs espantou o grosso da massa. O governo Dilma, surpreso, prometeu de imediato investimento na mobilidade urbana – incidentalmente origem dos protestos- e reforma política. Passado um ano, nem uma coisa nem outra.  E os movimentos ressurgem com outras características, agora muito mais violentos.

 

Uma rápida olhada na America Latina nos mostra que as lideranças dos movimentos políticos transformadores tem origem social e organizativas distintas. Na Venezuela o grande líder é de origem militar; na Bolívia, o líder é um indígena, no Equador, um acadêmico; na Argentina um político de um tradicional partido, em Honduras, um fazendeiro; e no Brasil um operário sindicalista. Não é a origem de classe nem a organização social a que pertencem esses lideres que define o emergir das mudanças. No entanto a pauta das transformações são muito parecidas: maior participação do Estado na promoção do Bem-Estar.

 

Neste ano, haverá eleições no Brasil. Até agora a ampla massa não se posicionou. Há um difuso sentimento de frustração com o governo petista por ter este estagnado nas primeiras mudanças e até retrocedido em outras no governo Dilma.

 

Não está claro se algum partido conseguirá convencer essa massa de que é capaz de levar adiante o atendimento de suas demandas. Mesmo porque as demandas dessa massa se junta com as demandas de antigos segmentos sociais até hoje frustrados em suas aspirações. O que é certo é que as pulsações e as contrações do parto estão acelerando. Coincidente ou não com as eleições, está indefinido se a parteira da história será a violência ou se teremos até lá promovido uma evolução institucional apropriada.

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