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INTERNET DERRUBA EDITORAS  DO NY TIMES E LE MONDE

 

Aqui não caem a ficha nem cabeças …

 

 

 

O amigo navegante talvez não saiba, mas o ansioso blogueiro mantém com Hubert Beuve-Méry profícua correspondência que se preserva há décadas.

O ansioso blogueiro sempre o preveniu de que essa ideia de fazer do Le Monde um jornal vespertino não ia dar certo.

Não deu.

Mas, levou muito tempo para dar errado.

Recentemente, a editora do Monde, Natalie Nougayrède foi demitida depois de uma longa crise com a redação.

O Monde conta com o apoio financeiro de três milionários ligados aos socialistas: o controlador da marca Yves Saint-Laurent, um banqueiro e um empresario de TI.

O Monde, dessa perspectiva, não está para quebrar, como acontece com o PiG (*) brasileiro, de forma generalizada.: clique aqui para ler “queda da audiência da Globo começa a morder o Capital Humano”.

Mais grave é a situação do Libé, jornal também de esquerda que tem padrinhos menos poderosos e menos ricos.

(Nada que se compare, porém, à fortuna dos filhos do Roberto Marinho, claro.)

O problema é que os acionistas pressionavam por mais internet no Monde.

E, de fato, o site do Monde, que me perdoe o bom amigo Hubert, é um desastre ferroviário:http://www.lemonde.fr/.

O que aconteceu ?

O que se segue é uma abreviada explicação de Hubert: 

Nathalie decidiu que 60 áreas de cobertura jornalistica do Monde passariam a ser de livre acesso a qualquer jornalista do Monde.

Para ganhar ligeireza e, portanto, mais rapidez na atualização do site do jornal na internet.

Se antes, por exemplo, havia uma área “América Latina”, onde estava o Brasil, e outra, “Américas” para se dedicar aos Estados Unidos e ao Canadá, ao Canadá “francês”, agora, haveria uma rubrica só: “Américas”.

E, assim, os “donos” das antigas áreas tinham que disputar matérias,  reportagens – e espaço – com os novos competidores.

Natalie acabou com os cartórios, para ganhar mais leitores – no site.

Estabeleceu a competição entre jornalistas “polivalentes” e desestabilizou antigas “propriedades”.

A redação se rebelou, houve uma renúncia coletiva, e a cabeça dela rolou.

Agora, o ansioso blogueiro recorre a correspondência também profícua com velho camarada, Abe Rosenthal:

No New York Times, a primeira mulher chefe de redação, Jill Abramson, soube da sua sumaria demissão no dia em que o proprietário, ainda na família Sulzberger, anunciou o sucessor, o primeiro negro, Dean Baquet, à redação.

Há várias interpretações: o gênio dela, o fato de reclamar – com razão  ou não – de ganhar menos que os homens na mesma função dela,  hostilidade da redação etc e  tal.

Mas, nas camadas subterrâneas dessa crise no New York Times – Jill ficou apenas três anos no cargo, uma anomalia na casa – está a internet.

Para o leitor brasileiro, acostumado à medíocre paisagem local, o site do New York Times é uma maravilha.

O problema é que, lá dentro, no mercado americano, o NY Times progressivamente perdeu a hegemonia da cobertura política para sites mais agressivos, mais competentes – e ágeis.

Como o Politico.com. – http://www.politico.com/ – que passou a contratar jornalistas com o peso e o salário dos do NY Times.

A família Sulzberger pressionava Jill de um lado.

E a redação, resistente, de outro.

Jill queria empurrar mais internet na redação.

Contratou uma jornalista do The Guardian inglês – que fechou a edição impressa para viver só na internet – para dinamizar a conversão do jornal impresso.

Os jornalistas do Times são cada vez mais polivalentes.

Mas, não é fácil transportar a “cultura” do jornalista do impresso, e de um jornal impresso que se tornou padrão de qualidade, benchmark em todo o mundo, num jornalista que navega, agora, numa “cultura” caótica, desorganizada, frágil e falível, como a da internet.

O NY Times debate-se em dúvida sobre um sistema de assinaturas pagas – como o ridículo o “paywall” da Folha – e, pouco a pouco, a redação do jornal impresso fica muito cara e os sites especializados na internet comem pela borda a audiência do NY Times.

Agora, medite, amigo navegante sobre a situação no Brasil.

Em poucos países, a blogosfera suja – veja a última reunião com o Lula – desempenha o papel politico que desempenha no Brasil.

E por quê ?

Porque ela é competente ?

Pode ser.

Mas, sobretudo, porque a imprensa escrita – impressa ou em site – é um fracasso insuperável.

A imprensa  dita “tradicional” no Brasil, aquilo que o Mino Carta chama de “mídia nativa” não tem como sobreviver – porque não presta.

Se, na França e nos Estados Unidos, a competição com a internet corta a cabeça dos lideres de redação, aqui, as empresas familiares e esclerosadas não deixam a ficha cair.

Nem a ficha nem cabeças.

Se o NY Times ainda consegue competir no mercado americano, é porque o NY Times ainda é um grande jornal – como o Monde.

E aqui ?

Se você perder a Folha, o que perde ?

Nada !

Neste domingo, a única coisa que presta na Folha é o artigo do Janio de Freitas, que você pode ler, em parte,aqui.

O resto não merece a lata do lixo de famílias virtuosas.

A internet apenas aproxima o fim melancólico de um PiG cuja utilidade, hoje, é apenas promover um Golpe de Estado.

O Golpe é a sua “suposta” salvação.

Clique aqui para ler “Nasceu o Manifestômetro !”.

Paulo Henrique Amorim

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