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GOVERNO DILMA JOGA O PAÍS NA CONVULSÃO SOCIAL

 

Trabalhadores vão à luta contra arrocho e descaso do governo

Metroviários, rodoviários, policiais civis, federais, servidores, professores e outras categorias estão mobilizados contra
o arrocho salarial imposto pela política econômica dilmista

Dizia o falecido Brás Cubas, filósofo melhor do que a presidente Dilma é pensadora política (ou será economista?), que “suporta-se com paciência a cólica do próximo”. Deve ser por isso que, com a máquina estatal paralisada pelas greves (e cada vez mais, com cada vez mais greves), o governo cancelou a negociação com os servidores, já quase em desespero com o rebaixamento do salário real (ver página 5).

Porém, Cubas e seu medium, Machado de Assis, não parecem ter previsto o caso de um governo que está se lixando completamente para o país e para si próprio – para o serviço público, vale dizer, para o atendimento da população pelo Estado, em retribuição aos impostos que paga – porque optou por entregar o dinheiro público, e as funções de governo, aos bancos estrangeiros e outras multinacionais. É por isso, aliás, que a presidente julga os brasileiros incapazes até da “gestão” de algumas lojas e estacionamentos nos aeroportos – porque ela entregou a “gestão” do país aos monopólios financeiros externos. A incapacidade, portanto, é sua. O resto, é apenas encenação auto-justificativa – e racista.

TREMORES

A consequência é um país sacudido por tremores que estão aumentando de intensidade. Desde as greves que se multiplicam e tomam o território nacional; da indignação, e mesmo raiva, com a situação da Saúde, da Educação, dos Transportes; até a grita dos empresários – sobretudo os industriais – que estão com suas empresas à beira da extinção ou (o que é a mesma coisa, sob outra forma) do açambarcamento delas por fundos especulativos de Wall Street. E, não nos enganemos, episódios de especial insensibilidade e ausência de senso moral, horrores e crimes terríveis que aumentam no país, são a expressão mais apodrecida como consequência da abdicação do governo em governar. O que se pode esperar quando o governo age como se os problemas das pessoas não lhe dissessem respeito, como se a privatização e – vejam só – o “espírito animal” dos monopólios externos, fossem a governança (?!) de que o país precisa?

É inevitável que a consequência da lei da selva seja a selva – das concessionárias de eletricidade e telecomunicações até o tráfico de drogas e aos assassinos que cada vez mais frequentemente horrorizam a sociedade com crimes além da imaginação – pelo menos da imaginação normal, isto é, humana.

Tudo isso, a pouco mais de duas semanas do início de um evento que sempre uniu todos no país: a Copa do Mundo. Aliás, a razão pela qual é uma basbaquice fazer (ou fingir fazer) manifestações contra a Copa, é que não faltam outras razões no país para manifestações. A Copa, em meio a uma catástrofe governamental, é quase o único acontecimento positivo para o povo – não só pela Seleção, mas porque impediu que o dinheiro aplicado nela fosse entregue aos bancos, sob a forma de juros.

O governo asfixiou o país com nove aumentos seguidos da taxa básica de juros (+51,72% de março de 2013 até abril de 2014) – com o consequente aumento da taxa de juros (média, ao ano) para as pessoas de 87,97% (março/2013) para 100,31% ao ano (abril/2014), enquanto as taxas de juros (também em média) para empréstimos às empresas aumentaram de 43,58% (março/2013) para 49,19% (abril/2014).

A média de 2% de crescimento nos três últimos anos, com a perspectiva de chegar a 1,9% no final do mandato, não é apenas a pior – com exceção daquela do hoje dilmista Collor – que um presidente alcançou na história do Brasil. Também é três vezes menor que a média dos países emergentes e duas vezes menor que a média mundial, no mesmo período.

Não espanta que o desemprego tenha aumentado e o país tenha se tornado o reino dos baixos salários e do subemprego. Fora isso, o que o governo tem oferecido ao povo é, literalmente, a mentira.

VÍDEO

O leitor deve lembrar-se dos R$ 143 bilhões que tinham sido investidos em mobilidade urbana. Depois da desmoralização, numa sessão do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), na presença da própria presidente, os R$ 143 bilhões deixaram de ser “investidos” e passaram a ser “uma carteira”. O problema, segundo o governo, é dos prefeitos e governadores, que não apresentam projetos… Como se esse “pacto da mobilidade urbana” não fosse apenas marketing, em que governadores e prefeitos, obrigados a ouvir uma xaropada presidencial, não conseguiram discutir absolutamente nada.

Agora, a secretaria geral da Presidência divulgou um vídeo, supostamente para defender a Copa, onde é dito que, “desde 2010 o governo federal investiu R$ 825 bilhões em Saúde e Educação”.

Ninguém precisa mentir para defender a Copa. Portanto, é evidente que o objetivo do vídeo não é defender a Copa.

Como seria possível que o governo federal tenha, em três anos, talvez quatro, investido quase um trilhão de reais em Educação e Saúde – e ninguém tenha percebido melhora alguma?

Só houve um gasto do governo federal que se aproximou disso no período citado: com os juros, que foram R$ 736 bilhões e 845 milhões.

Segundo a Secretaria do Orçamento Federal (SOF), os investimentos do governo federal em Saúde foram: R$ 4,15 bilhões (2011), R$ 4,95 bilhões (2012) e R$ 4,93 bilhões (2013): portanto, foram R$ 14,03 bilhões.

Os investimentos em Educação foram: R$ 7,72 bilhões (2011), R$ 12,78 bilhões (2012) e R$ 10,66 bilhões (2013). Logo, um total de R$ 31,16 bilhões.

Somados os dois, obtemos R$ 45,19 bilhões – portanto,18,6 vezes menos do que os R$ 825 bilhões anunciados pelo governo. Se somarmos também 2010 (R$ 6,04 bilhões em Educação e R$ 3,12 bilhões em Saúde) o resultado irá para R$ 54,35 bilhões – o que é 15 vezes menos que os R$ 825 bilhões anunciados.

INVESTIMENTO

Esses dados estão na tabela “Execução Orçamentária – Órgão/GND”, publicada pela SOF no último dia 16. Seu problema é uma certa superestimação do investimento, pois a SOF (e o TCU) trabalha com valores “empenhados” como se já tivessem sido investidos. Mas isso apenas mostra que a mentira é ainda maior – e que o investimento foi ainda menor.

E não adianta dizer que com a palavra “investimento”, o vídeo estava se referindo ao gasto total com Saúde e Educação, incluindo as despesas de reposição, manutenção e pessoal, que constituem o “custeio”, além do pagamento de inativos e o escambau.

Além do fato de que o governo sabe perfeitamente o que é investimento, mesmo se somarmos todos os gastos efetivos – isto é, realmente realizados – com Saúde e Educação desde 2010, não chegaremos nem perto de R$ 825 bilhões. Faltarão, ainda, mais de R$ 300 bilhões.

Depois de colocar o país no caminho de uma convulsão social, eles acham que podem substituir o crescimento pelo marketing, o real pela enganação, a verdade pela mentira. Com isso, estão conseguindo incendiar mais rápido o país. Como escreveu o mesmo Machado com que iniciamos este artigo, dessa vez emEsaú e Jacó, “nenhuma revolução se faz como a simples passagem de uma sala a outra”.

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