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Baas: ‘raiou a hora da libertação do Iraque’

HORA DO POVO

Guerrilhas do Partido Baas, dos Clãs rebeldes e dos islâmicos em marcha batida para Bagdá. Em Mossul, exército fantoche de 30 mil homens largou fardas e armas e caiu no mundo sem dar um tiro

Com as forças rebeldes tendo assumido o controle de três províncias, inclusive a segunda maior cidade, Mossul, de 1,5 milhão de habitantes, e a terra natal do presidente Sadam, Tikrit, a caminho de Bagdá, o partido Baas saudou nesta quarta-feira (11) no seu portal “Dhiqar” o “avanço avassalador da revolução popular” e anunciou que “raiou a hora da libertação do Iraque e reconquista da sua soberania e independência, e da dignidade e orgulho da nação árabe como um todo”.

“Os clãs de Mossul, Anbar, Saladino, Eufrates Médio e do Sul, Diala, Kirkuk e Bagdá se levantaram contra tiranos e prostitutas do regime fantoche dos americanos, sionistas e safávidas, que submeteram o país à opressão, fome e roubo da riqueza do petróleo”, afirmou a declaração divulgada pelo “Dhiqar”, que conclamou à união dos “clãs, trabalhadores, camponeses e intelectuais revolucionários”.

Apesar de, nas primeiras horas da terça-feira (10), a mídia imperial tentar vender a ficção de que a Isil (Estado Islâmico do Iraque e Levante), organização supostamente mais extremista que a Al Qaeda, havia sozinha tomado Mossul, o “New York Times” já admitia no dia seguinte: “conforme as dimensões do ataque começam a se tornar claras, é evidente que vários grupos de militantes juntaram forças, inclusive comandantes do Baas da era Sadam, cujo objetivo é derrubar o governo do primeiro-ministro Nuri Al Maliki”. E citou até mesmo Izzat Ibrahim Al Douri, o sucessor de Sadam no comando do Baas e da Resistência.

“RÁPIDO COLAPSO”

As manchetes da mídia imperial não eram propriamente animadoras: “Exército Capitula em Quatro Cidades”(Guardian); “Insurgentes rumam para Bagdá conforme Forças de Segurança Colapsam” (Washington Post); e “Militantes Iraquianos Empurram ao Sul Rumo à Capital” (New York Times). Editorial do “Guardian” tentou explicar o inesperado: “O rápido colapso das forças de segurança na cidade sugere que a aparência de controle governamental era em grande medida uma impostura, provavelmente o resultado de um pacto informal entre eles e os insurgentes para um deixar o outro em paz”.

Fontes ligadas ao Baas têm outra versão, a de que a atual ofensiva vem sendo planejada há dois anos e foi antecedida por grandes lutas de massa contra o regime fantoche e a constituição de uma frente da Resistência com um conselho político. Há meses Ramadi e a heróica Faluja estão sob controle dos revolucionários. Não é propriamente um segredo que em Faluja é o Baas e organizações aliadas que cumpriram o papel principal, sem deixar de lado os combatentes islâmicos do Isil. Desde o levante de Faluja, foram criados comitês militares anti-regime fantoche em numerosas cidades. Em Mossul, contrariamente ao sectarismo atribuído à Isil, após a vitória os guerrilheiros foram de porta em porta anunciando que ninguém seria perseguido – inclusive os xiitas – e conclamando os servidores públicos a retomarem o trabalho.

Dois depoimentos, aliás, colhidos pelo “Guardian”, evidenciam o que se deu em Mossul. Ali Aziz, de 35 anos e pai de cinco filhos, disse estar “muito contente de nos vermos livres das forças militares iraquianas, que foram uma maldição para Mossul e seu povo. Nós sofremos muito desde a invasão dos EUA de 2003, que só trouxe traidores e criminosos para o Iraque e para Mossul em particular”. Ele acrescentou que os guerrilheiros “são bem-vindos. Estamos felizes de tê-los ao invés das forças brutais e sanguinárias de Maliki. Eu me sinto libertado de um terrível pesadelo que nos sufocou por 11 anos”.

Já segundo o capitão da polícia fantoche, Firas Hussein, de 40 anos e pais de dois filhos, que deixou a cidade com a família após a debandada, as cidades estão caindo nas mãos dos guerrilheiros uma depois da outra. “Todos os policiais estão dizendo, ‘porque deveríamos ser mortos pelo destino de Maliki? Seu exército abandonou a cidade, quem se importaria?’”. Fihas acrescentou que “Maliki e todos os seus ministros mandaram as famílias para fora do Iraque. Eles têm dinheiro em bancos estrangeiros o bastante para 100 anos. Oficiais da polícia, como eu, não receberam o salário este mês e não sabemos como vamos sobreviver nos meses seguintes”.

Assim, como a polícia, o exército do fantoche Maliki literalmente se dissolveu em Mossul, com trinta mil soldados – duas divisões – fugindo do avanço da guerrilha. Fotos mostram a forma sui generis de combate dos homens treinados por Washington: despiam na rua a farda e sumiam no mundo. Deixaram para trás grandes quantidades de armas e munição, veículos e até mesmo helicópteros. A quarta maior base do Iraque caiu praticamente sem um tiro. Além dos generais que deram no pé, aliás, de avião, também o “governador”-fantoche, Atheel Al Nujaifi, correu para Bagdá.

De acordo com a mídia imperial, o primeiro-fantoche já havia pedido socorro a Obama há um mês, para que os EUA bombardeassem as áreas rebeldes, mas como o mestre de cerimônias da Casa Branca havia asseverado na campanha presidencial “ter encerrado a guerra no Iraque” e há eleição em novembro, ficou difícil atender. Agora, Maliki reclamou que houve uma “conspiração” para seu exército made-in-USA minguar assim de uma hora para outra, decretou mobilização geral e convocou os esquadrões da morte que os ianques montaram durante a invasão a voltarem ao “trabalho”.

Sempre é bom salientar a objetividade da mídia imperial nessas horas. O “Washington Post” registrou que “até agora a luta não afetou a produção do Iraque de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia” e lembrou a atuação da Exxon Mobil, BP e outras para fazer bombar o assalto ao petróleo que Sadam nacionalizara. E destacou a sábia observação da porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki: a situação “é muito fluida”, mas a maior refinaria do Iraque, em Baiji, “permanece nas mãos do governo”.

                                                                                                                         

ANTONIO PIMENTA

 

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