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AS PROMESSAS DA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

 Por Cláudio Fajardo

 

O desenvolvimento de novas tecnologias –NT-  tem favorecido a reflexão de um grande número de pensadores sobre o futuro da sociedade. O Cube de Roma, uma instituição financiada por empresários contratara especialistas de diversas áreas para estudarem o futuro do Mundo. Dentre esses estudos incluíram o futuro dos oceanos e, com respeito às novas tecnologias solicitaram ao filósofo Adam Schaff, polonês e professor numa universidade alemã, um estudo sobre o futuro da sociedade na era da informática.

Adam Shaff publicara em forma de livro o seu relatório em l985 sob o título de “Sociedade Informática”.

Nesse livro Schaff verifica as projeções de alguns países sobre o impacto dos processos automatizados na produção. No caso japonês o filósofo constatara que ali se previa a substituição total da mão-de-obra braçal por processos automatizados até o ano 2.000. No Canadá, previa-se a substituição de 24 por cento de toda a mão de obra e nos EUA a previsão era de substituição de 25 milhões de trabalhadores, também até o ano 2.000. Sistematicamente as previsões falharam. E isso já era temido pelo autor que predissera ser muito arriscado acreditar e fazer tais projeções.

As previsões falharam, mas nem tanto. Os micro computadores não existiam ainda na profusão em que vieram  a existir logo depois, tampouco a Internet existia. Hoje, podemos dizer que já vivemos uma revolução na transmissão de dados, sons e imagens. As pesquisas das universidades, que antes somente chegavam ao público muito tempo depois, hoje estão disponíveis online em tempo real. Se isso ocorre com as pesquisas científicas, dados muito complexos,  imaginem outros conteúdos bem mais simples do cotidiano. Nesse sentido podemos dizer que houve sim uma revolução tecnológica.

O conhecimento científico disponível hoje já permitiria, também, um grande salto na substituição de mão-de-obra por processos automatizados. Se isso não ocorre é porque ainda existe uma contra tendência pelo fato de existir mão-de-obra barata em boa parte do mundo. Exemplo disso são os processos de desindustrialização dos países do primeiro mundo em benefício da industrialização dos países do Terceiro Mundo (China, Coréia, Índia e Brasil dentre outros). Mas, há um problema ainda maior que contraria a aplicação tecnológica em processos produtivos: como viveriam aqueles que hoje tem sua renda provinda da venda da sua força de trabalho?

A produção poderia ser aumentada até atingir patamares suficientes para atender todas as necessidades humanas. Isto é verdade, mas e como aqueles que hoje vivem de salários iriam auferir renda para remunerar  a satisfação de suas necessidades? A produção poderia ser suficiente mas a distribuição da riqueza produzida deveria sofrer uma transformação, não seria mais possível continuar distribuindo a riqueza pela remuneração dos fatores trabalho e capital. O Estado deveria intervir, primeiro assumindo o controle da produção. Schaff cita uma idéia do empresário administrando os meios de produção sem ter mais a sua propriedade. Segundo ele, uma idéia um tanto leninista. O Estado deveria garantir uma pensão para cada cidadão e com isso ele poder prover a satisfação de suas necessidades.

Nessa área, a da incorporação tecnológica na produção e da transformação do direito de propriedade e de distribuição da riqueza é que não só não tivemos avanços como, pelo contrário, tivemos retrocesso. Quando Schaff pensara o futuro, o fizera ainda sob a influência da sociedade do bem-estar vigente na Europa e, até certo ponto, nos EUA. Depois da Era Tatcher e Reagan, no entanto, e do predomínio da idéia neoliberal, a sociedade regrediu, o Estado do Bem-estar sucumbiu e uma economia da barbárie tomou seu lugar em boa parte do mundo capitalista. Mesmo a URSS deixou de existir.

Mesmo com esses retrocessos os estudos de novas tecnologias continuam a produzir resultados. No uso da energia, por exemplo, Schaff falava de inúmeras fontes alternativas e dentre elas a energia solar e também o aproveitamento dos fluxos das marés. Esta última é que me motivou a escrever este texto. Vejam o vídeo da experiência realizada no Ceará. [1]Também me ocorre o uso dos conhecimentos científicos na área da saúde. O uso das células tronco está em estado já avançado, prometendo muito mais para o médio prazo. Também trago como exemplo o apetrecho do esqueleto externo, aquele apresentado na copa do mundo que permite ao paraplégico andar.[2] Na área do transporte reproduzo a notícia dos trens velozes que a China está a desenvolver. [3]

Concluo dizendo que, se as novas tecnologias ainda não produziram a grande revolução, estamos muito próximos disso. Haveremos que transformar aquilo que o Marx chamou de relações de produção.

[1]

http://youtu.be/EEmM6Qxnd_w</a>

href=”#_ftnref2″ name=”_ftn2″>[2] Nos Estados Unidos já é possível comprar o equipamento, que permite aos paraplégicos andar novamente.

O FDA, Agência  reguladora de produtos e medicamentos nos Estados Unidos, autorizou a a venda do primeiro exoesqueleto.

O ReWalk, como é chamado, é um aparelho motorizado colocado nas pernas e no torso – conjunto constituído pelos ombro, tórax e pela parte superior do abdomen.

Com a ajuda de um controle remoto, instalado no pulso, ele possibilita que uma pessoa com lesão de medula espinhal fique sentada, de pé, e caminhe com a ajuda de muletas – como mostramos aqui no SoNotíciaBoa.

[3]

Os chineses estão programando linhas férreas MUNDIAIS, já existem estudos sobre uma linha férrea de alta velocidade (350km/h) ligando nada mais nada menos do que Londres a Pequim (http://finance.sina.com.cn/chanjing/cyxw/20140508/021019034539.shtml).

Uma ferrovia Pan-Ásia (Vietnã, Camboja, Tailândia, Malásia até Cingapura) começará a ser construída no próximo mês (não é projeto, é construção mesmo), mas os planos dos chineses não terminam por aí. Já começaram os estudos da ferrovia que ligará Mongólia, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Irã, Turquia e outros países, para chegar até a Alemanha.

Não satisfeitos com isto os chineses estão propondo uma ligação por outro caminho de Pequim a Londres e o mais arrojado de tudo, uma ligação ferroviária China, Rússia, Alasca, Canadá e Estados Unidos (http://interestingengineering.com/china-planning-a-trans-pacific-hi…).

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