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As eleições, vistas do bunker de Dilma

 

Até agora a coordenação da campanha não coordena. 
 
Há um grupo de pessoas, composto pelo marqueteiro João Santana, Aluizio Mercadante, Franklin Martins, o presidente do PT Rui Falcão aos quais se agregaram, recentemente, o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo e o assessor especial de Dilma Giles Azevedo.
 
É um grupo que discute estratégias mas não define rumo. Cada qual define seu próprio rumo, aliás.
 
A rigor, há três focos de tratamento da imagem de Dilma.
 
Santana tem sua visão estratégica. Define um caminho e vai em frente sem se incomodar com as questões mais táticas – responder a um ataque aqui e ali. Na opinião desses observadores, errou ao pretender criar uma imagem para Dilma dissociada dos oito anos de Lula. Aparentemente deu-se conta do erro e começa a acertar o rumo reconstruindo o  discurso de 12 anos.
 
O segundo foco é o trabalho do Secretário de Comunicação Thomas Traumann. Há o reconhecimento do belo trabalho de recuperação de imagem de Dilma, correndo atrás do tempo perdido. Mas não tem influência na coordenação.
 
O outro eixo é protagonizado por Franklin Martins e pelo presidente do PT Rui Falcão, mais empenhados nas guerras táticas de informação. Franklin é responsável pelo site MudaMais.
 
Recentemente ocorreram ruídos na campanha, com a história da crítica contra a CBF publicada no site. Também saíram notas sobre conflitos em torno do slogan, entre o MudaMais proposto por Franklin e outro proposto por Santana.
 
São dois episódios ridiculamente minúsculos, tão irrelevantes que nem Dilma se importou com eles. Mas foram esquentados e apresentados como pontos de crise na campanha e como sinal de que Mercadante assumiria a coordenação geral.
 
A questão é que o balão foi empinado internamente, assim como os ataques recentes a Franklin. 
 
Apesar do protagonismo de Mercadante, e de se saber de suas ligações com a mídia paulista, os dois movimentos não são atribuídos a ele. A suspeita é que os petardos tenham partido de Paulo Bernardo, o único dos membros da coordenação que alimenta desavenças radicais com Franklin. Os tiros ocorreram pouco depois da sua entrada no grupo.
 
Ele seria a fonte misteriosa alimentando o off da cobertura.
 
O desgaste dos candidatos
 
Em relação à última pesquisa do Datafolha,  grosso modo reflete o quadro atual, embora a Folha tenha exagerado na palavra “empate”. Pela metodologia do Datafolha, a margem de erro de 2 pontos ocorre no nível de 50%. No nível de 40% a margem é menor. Além disso, se a diferença entre Dilma e Aécio é de 4 pontos e a margem é de dois, a probabilidade da diferença ficar em 8 pontos é a mesma do empate anunciado. Portanto, não existe empate estatístico.
 
Mesmo assim, não se tem ilusão sobre o desgaste de Dilma.
 
Há um processo claro de desgaste de Dilma e do governo PT em geral, algo natural depois de 12 anos no poder. Mas nada que não possa ser parcialmente combatido durante a campanha, principalmente porque as pesquisas qualitativas têm demonstrado grande rejeição do eleitorado a Aécio Neves – que enfrenta problemas de imagem tão fortes quanto os de Dilma, embora de natureza distinta. É isso o que explica ele empacar em 20% apesar do aumento de rejeição de Dilma.
 
Assim como no caso de Dilma, não se afasta a possibilidade de se reverter a imagem de Aécio durante a campanha.
 
A recente manchete da Folha contra Aécio – em cima de um tema irrelevante – é visto como sinal de que irá começar em breve a campanha de baixarias contra Dilma.
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