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MARCELO ALMEIDA, FALTA DE GENEROSIDADE E A SÍNDROME DA PESSOA RICA

 

 

Por Cláudio Fajardo

Marcelo Almeida, candidato ao senado pelo PMDB do Paraná, tem uma fortuna situada em torno de oitocentos milhões de reais. Nem quero entrar na discussão de que esse capital é resultado de trabalho não pago àqueles que eram empregados nas empresas C.R. Almeida e outros empreendimentos familiares. Sim, a famosa mais-valia. Não entro nessa discussão porque desconfio que Marcelo jamais entenderá, e se vier a entender jamais aceitará, essa teoria econômica. Parto dessa fortuna como um dado, o dado de que ele é proprietário e isso o colocou como o homem mais rico do parlamento brasileiro.

Em recente entrevista ao Bem Paraná, Marcelo Almeida fala do pedágio como uma necessidade em função da falta de dinheiro público para investimento. Diz que a falta de dinheiro público é resultado da corrupção. Ledo engano ou demagogia barata. A falta de recursos do Estado (da União na verdade) decorre das suas despesas financeiras,

“Na quinta-feira, o Banco Central (BC) publicou que o setor público transferiu aos bancos, fundos e rentistas em geral, R$ 251 bilhões nos últimos 12 meses. A transferência em juros do semestre (R$ 120,25 bilhões) foi recorde para esse período, mesmo no governo Dilma, que já drenou para esses parasitas, só em juros, R$ 819,64 bilhões de janeiro de 2011 a junho de 2014 (cf. BC, Relatório de Política Fiscal).

Dos R$ 120,25 bilhões transferidos, no primeiro semestre, pelo setor público em juros, R$ 93,34 bilhões (77,62%) foram do governo federal. Enquanto isso, todos os investimentos orçamentários do governo federal, no mesmo período, foram R$ 4,92 bilhões. Ou seja, o governo gastou 19 vezes mais em juros do que em investimentos”. (Jornal Hora do Povo)

Já nessa declaração Marcelo Almeida mostra que não será diferente dos atuais governantes e será até um atraso em relação ao senador Requião que denuncia essa gastança do governo federal com juros. Portanto, não podemos mesmo esperar que venhamos a ter investimentos públicos em infra-estrutura e logística  e sim mais investimentos privados através de concessões ou privatizações de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. O discurso de Marcelo Almeida nesse ponto é uma mesmice.

Marcelo não pára aí com a demagogia. Diz que diminuirá o mandato de senador para quatro anos. Promessa falsa porque não é um senador que determina isso, é preciso uma mudança na Constituição e ninguém duvida de que os atuais senadores irão reduzir ou reformar o seu próprio poder. Giordano Bruno, aquele religioso que foi queimado em fogueira, balbuciou a caminho do martírio que foi ingênuo ao acreditar que o poder poderia reformar o próprio poder. Outra medida igualmente demagógica é dizer que vai acabar com a suplência para o senado. Também não tem força política pra tal.

 

Finalmente, vamos falar de campanha e da síndrome da pessoa rica. Muitas pessoas ricas sofrem muito com o fato de nunca terem certeza de que as pessoas que dela se aproximam se o fazem por sinceridade ou por causa do dinheiro. No fundo, há uma grande insegurança sobre si mesmo. Por causa da síndrome elas querem ser queridas não pelo seu dinheiro mas por algo diferente, algo que funciona como se fosse sua essência, uma essência constituída por outra coisa que não o dinheiro. Marcelo revela ser portador dessa síndrome quando fala que as pessoas o procuram na campanha por causa do dinheiro.

Em primeiro lugar nega que seja dono do pedágio e também que tenha qualquer influência na C.R. Almeida sobre as suas doações para campanha.  Sobre as pessoas que lhe procuram para ajudar nos gastos com a campanha, coisa normal nas dobradinhas, ele revela seu caráter:

BP – Seus adversários, inclusive dentro do PMDB, questionam sua indicação como candidato ao Senado por conta de suas ligações com o pedágio e do discurso do Requião do ‘abaixa ou acaba’. Como o senhor lida com isso?
Almeida – Primeiro assim é interessante. As pessoas que me criticam pelo pedágio são as primeiras a bater na CR Almeida para pegar dinheiro. Tem fila para pegar dinheiro. O problema do pedágio, se fosse pensar, eu se fosse dono baixava. Também acho caro. Tem que ser por outro viés. O problema do pedágio é do Jaime Lerner, do Beto Richa e do Requião. Não é de um senador, do Marcelo Almeida, de um ex-diretor do Detran.

E como o senhor lida com esse assédio?
Almeida – Só com uma ligação a Deus. Eu nunca aprendi tanto quanto nesses últimos 30 dias. Eu consegui me desconectar das pessoas que pedem dinheiro pra mim. Eu não atendo, não retorno ligação, sou taxativo, saio da sala. Não perco muito tempo. Já sinto só no começo da conversa. Mas acho que vai ser uma eleição que vai depurar bem isso. Acho que saio dessa eleição como o homem dos livros, como um cara que é imbatível no debate, não respondo processo. Mas é uma eleição boa para depurar esse assunto do pedágio, da riqueza, da CR Almeida.” (Bem Paraná)

Marcelo Almeida foi ungido candidato ao senado por uma ação deliberada de Requião. Marcelo não demonstra nenhuma generosidade nem nas suas propostas para o exercício do mandato nem para com os companheiros de partido durante a campanha.

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